segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Montanha pra mim sempre foi medida de mundo.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Quando sentiu a pancada nas costas, percebeu o quao rapido foi lancada. A velocidade do momento sempre recorre aos sentido postos a novidade, retorna sempre com defasagem ao vivivel.

Eu joguei tudo pro alto,
bem repetido mesmo.
Mas o ato não se contem apenas no larçar.
Eu havia calculado antes o lugar onde cada coisa poderia cair.

Nunca fui boa em matemática, nem em decisões

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

"Após uma mordida virulenta e um período de incubação mais ou menos longo (15 a 60 dias), surgem, visíveis nas alterações do comportamento do cão, os primeiros sintomas da doença. Ele se torna triste, melancólico ou muito alegre e carinhoso. Ainda obedece e não tenta morder, mas já é perigoso, uma vez que a saliva contém o mal. (...) Depois sua agitação aumenta; se a doença assumir a forma furiosa, haverá acessos de alucinação; o animal fica parado, late, abocanha moscas inexistentes, rasga almofadas, tapetes e cortinas, arranha o chão e come terra.
O som do latido torna-se rouco e abafado, a nota final é bastante aguda e a boca não se fecha totalmente. Tais modificações no latido constituem um sinal bem grave. Em certos casos, o cão tem tendência a fugir, abandonando a casa do dono. (...) É nessa época que o animal se torna mais perigoso. Depois surgem fenômenos de paralisia: as pernas posteriores ficam enfraquecidas e o andar incerto. O cão pára na beira do caminho e ainda é perigoso nos momentos de alucinação; posteriormente a fraqueza se acentua, a respiração torna-se irregular, ele se deita e a morte ocorre quatro ou seis dias contados do início dos sintomas".



Vallery-Radot, Rene, «The Hydrophobia Problem», BiblioBazaar, LLC, The Life of Pasteur, 408-409, 2008.

Quando era pequena, Pantera me transmitiu raiva.
Eu achava que por causa disso eu começaria a xingar pessoas pela rua, como meu pai fazia com aquelas mulheres que dirigiam mal.
Mas o que aquilo me rendeu foram as minhas primeiras dores de cabeça e vomitos.

sábado, 20 de novembro de 2010

Ele olhou olhou e viu

Largou a mão da mãe rispidamente,
(Mas o problema não era ela)
torcia a feição enquanto caminhava decidido em direção ao que o transtornava.
Derrepente, parou, olhou todas aquelas flores servidas pelo chão e começou a pisar com força em cada uma delas. Sabia que feria àqueles que gostavam delas, mas era a unica forma de colocar aquela raiva em realidade, já que foi o pequeno mesmo quem as plantou todas ali. Ele sabia oque e quem ele havia trazido com a criação delas.

Ao final de duas horas, tudo estava destruido. As cores ainda estavam deitadas no chão.
Ver aquilo não fez seu pequeno coração encontrar satisfação, mas não era aquilo que ele buscava também.

Deitou ali no meio delas, naquela pequena umidade e pediu pela noite, porque ali, ali ele poderia ver alguma coisa no céu, rabiscando naquela imensa imagem, sozinho talvez.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

A ultima imagem que passou diante daqueles olhos:
cavalos que saltavam, negros brancos e marrons,
A visao que ambas ainda tentavam acompanhar, mas aquele movimento todo varria-se.
Eles buscavam-na, puxavam-na, mas ela não sentia, ou se fazia não sentir?
Eu não sei.

Apenas olho ao redor daquela cena, praquelas luzes todas, e não enxergo nada que não seja aquela temperatura amarela, aqueles brilhos acesórios, chamativos o suficiente pra uma crianca.
E eu não a entendo, apenas estou entretida com aquele movimento agora.

Ela estava deitada em uma de suas mil camas, com um dos seus óculos preferidos; aros largos e vermelhos, aquele que ganhou de sua tia. Seu cabelo escorria-lhe negro sobre o rosto. Não tinha mais nada, nem roupa nem carne nem pó nem o peso da alma.
Eu me vi no reflexo dos olhos.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

"There are people who eat earth and eat all the people on it like in the Bible with the locusts. And other people who stand around and watch them eat."


(Lillian Hellman, from "The Little Foxes", 1939)

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Texto provisório

Ainda ouve a exclamacao das pernas, infinitas.
Eu tenho ideia, mas nao tanta. Eu finjo que tenho. Mas só para mim mesma, Pra mais ninguem.
Preciso dessa invencao, dessa nao constatacao do que deveria ser. Aprendi isso em meu segundo ano de vida, quando me fizeram andar. Disseram, levanta e anda. Fui toda lenta e torta.


Estavamos em uma grande praia, grande mar, infinito.
Eu decidi observar aquelas pequenas partes, decidi fiscalizar aquilo que prendía meus olhos no chao. Outra parte de mim, um pouco mais adiante olhou pro mar. A infinitude para ela era mais larga que aquela pequena inundacao de cristais. Ela partiu e assim foi, eu cai. Desde entao passei a buscar seguranca em animais quadrupedes. O primeiro foi um elefante amarelo, coloridos, depois vieram os ursos, as tartarugas, os passaros, ratos, gatos, lagartos... . E dentre todos eles haviam os lobos, aqueles que mais perfeitos foram. Tinham minha altura, tinham forca para me aguentar e eram rápidos com suas pernas como a minha falta de atencao na escola. Dentre tantos e todos, foram deles que aprendi a minha primeira lingua. As outras tantas que penso possuir nao sao tao fortes como esta primeira lingua. Nunca foram , e nunca serao. Nem o meu querido e própio portugues pelo qual conto deles pra voces é tao forte.



Mas ouve um dia em que eu decidi subir nas costas de cavalos. Eu tinha olhado o mar, era a primeira vez que tocava o mar com as minhas duas maos. Eles me levaram e desde entao eu passei a sentir vertigem pela altura. Tinha me acostumado as costas dos lobos, a altura que eles me davam. Já nao era mais eu ali, me formei alta e grande massa daquele movimento. Efeitos de persistencia retiniana, infinitos de pernas.
Eu trai meus lobos.

Como penitencia, primeiro eles sumiram. Depois, pela apelacao que fiz a eles, apareceram aos poucos, mas permaneciam calados.

Até que entao eu percebi,
Que durante aquela danca com os cavalos eu perdi a unica coisa que carregava aqui comigo, a Lingua dos Lobos. Eu nao tinha mais voz, eu nao tinha mais a voz deles. Eu nao era capaz de ouvi-los, pois sei que falavam comigo, sei que gritavam e berravam como naquelas tantas e tantas noites que acordei assustada por seus uivos doloridos. Eu perguntava desesperada a e eles me respondiam, mas eu nao entendia. Eu nao os compreendia eu nao me compreendia. Passei a teme-los. Passei a teme-los.

Em meio a uma dessas tristes noites de uivos, um deles decidiu nao me acordar com sua voz, naquela noite em especifico. E quando acordei, abri a porta de casa e a primeira coisa que vi foi um grande lobo em pé, de olhos amarelos e sem rabo. Mencionou as seguintes palavras:
- Estas em busca de seu rabo também?
E eu nao soube formular uma resposta, na verdade nem pensei nisso, o susto de ve-lo e ouvi-lo falar foi tao grande que eu fechei a porta na cara dele. Eu nao o reconheci, carne minha, nao o reconheci.
Quando voltei a abrir a porta ele já nao estava mais lá, mas senti que nao estava longe, como o rastro de presenca que deixou pelo caminho que fez, creio eu que ele se assustou também. O tempo do corpo e da mente sao diferentes e eu nunca soube manobrar essa diferenca entre ambos muito bem, e um certo reflexo foi gerado ali entre ambos.
Mas foi a tao falada por meu pai "intuicao" que me pediu pra eu seguir ele, já que olhei pra tras e percebi que também nao tinha rabo, que todo o problema da minha vida, toda minha falta de equilibrio estava na ausencia de um rabo. E eu parei alguns séculos pra pensar aonde foi que o perdi, quando foi que ele se despregou daqui. Eu parei pra dar sentido a uma dor que sentia.

sábado, 23 de outubro de 2010

O cheiro aqui é muito alto. Chega até as narinas, como água. A gente se perguntou sobre esse aroma de litoral. E se segue.

Eu quero ir ver as baleias. Tem sido minha única e grande meta vista.

Conto do dente de Lião

Como um dente de lião, foi perdendo pena a pena, até sobrar-lhe pensamento.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Ele, do alto do elefante amarelo, com sua pele azul como o mar da grécia, começou a desenhar sombras com gestos, enquanto tapava o claro sol que irradiava sobre mim, naquela praia.
A grande estatura, vista daqui da areia não fazia juz ao meu tamanho. Mamae prendera meu cabelo para que nao este no fosse levado como os de minha irmã foram.
Depois do grande apuro, o episódio da praia, chegou até mim a constatação de que nao conseguia carregar aquilo tudo sozinha. Nosso corpo. A segunda parte do nosso corpo pensou en seguir un fluxo que nao aquele em que eu estava inteira. E nao que a outra nao estivesse inteira também, só que estava adiante, a idade nao alcancaba o ato. Depois dessa, eu cai mais dois anos de idade. Meu destino habia sido proposto naquele instante, eu seria a atrasada, isso en relacao a outra parte do corpo, adiantada.

Quem passou a me apoiar as pernas que desaprenderam a andar, caminhar até o mar, foram os tantos caes elefantes ursos.

Enquanto caminho, deixo marcas de pegadas que nao sao minhas, como uma marca no corpo, um corpo calado, ou melhor calejado pela protecao deles.

E eu os postei sempre a frente, como protecao do mundo,
servian a mim, e como rainha egoista os mantive o maximo possivel sobre minha escravidao. Tanto que os justifico como parte de mim, sao de cativeiro nao vao sobreviver.
agora os coloco a frente de los otros como una protección de mim mesma.
E nao me vanglorio de forma alguma pela imagen refletida no espelho, duplicada pela lente que registra cada paso.

sábado, 25 de setembro de 2010

Hoje, diante do juramento das rosas, eu reencontrei um irmão. E antes que nos digam que não, que não houve tempo de criaçao juntas,
que não houve impressao no corpo enquanto cresciamos separadas, que não houve criaçao de mundo a dois,
direi que haverá, e que já está acontecendo.

domingo, 12 de setembro de 2010

No meio do nada

Bem num lugar onde só há vista.
Deixei uma parte da minha vontade, na ultima vez que estive aqui.
No meio do nada eu tinha visto uma pequena casa de tijolos vermelhos, apertada entre dois predios em algum lugar do mapa. Não marquei nem anotei o endereço, sabia que teria de voltar pra reencontrar tal casa. Reencontrar tais lugares que ficaram em um canal que me ligaram a este lugar.
Bem na capa de tudo que vi, só vi. Meu corpo tinha tal disposição para apanhar tais capas e torná-las belas o suficiente.

Há um corpo que não conheço, e agora vivo aqui.
Aos poucos comecei a sussurar nomes para aquelas pessoas que via,
Agora completo casas e edificios com a mais magnificiencia que pode existir. Vão ser assim, como a vida que recriei dentro do Museo de Arte Decorativa, como o própio bairro onde fica essa casa encantada. Morarei alí, no bairro encantado, por toda minha vida, porque me foi um pimeiro sonho que me troxe aqui, foi um outro país que me trouxe aqui, um outro além, feito de matéria prima magnifica também.
A primazia de poder criar, mesmo que sobre peças criadas anteriormente.



O edificio em que moro é um lugar à parte,
Sonhei que o mundo se acabava aqui, um pais inteiro.
Nos corredores, há de ter pessoas agora nomeadas. Os cães são os mesmos, eu os reconheço desde sempre.
Tem um elevador que leva pro broto dessas pessoas,
nunca ousei subir até lá,
talvez cure a curiosidade subindo lá enquanto estou aqui.

Tenho reparado em um porta que se encontra a vista do elevador, ao lado da escada e proximo da casa de limpeza do zelador. É uma porta de madeira bem forte e escura. Nunca a vi ser aberta. Em seu centro superior há uma pequena abertura, como que cerrada com tres grades. O metal deste pequeno detalhe é todo em dourado, e os desenhos que formam com a madeira me recorda aquelas jaulas antigas de animais ferozes do circo.
Pensei que talvez tanta força e tao pouco acesso significassem mais do que um espaço vazio. (Nao deixarei lugar para o vazio, mesmo que o complete com um grito)
Meu medo e sorte é que, ali, em sonhos eu sinto a presença de animais como leões ou onças, algo que mereça cercar-se de tanta privacidade porque nao serve para o convívio humano. E tal porta além da proximidade com a escada, se encontra muito proximo de nosso apartamento.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

That day I knew

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

É fétido,
tecido negro enquanto escorre
me lembrou a pele do canto da boca de um carnívoro, e este é todo branco por fora, como a neve que o sustenta, maspordentro
por dentro está sangrando sangue não seu,
da ultima carne que dilacerou. Não aquela que o alimentou, mas aquela que serviu de posse, concretização de uma vulgaridade. Vulgar por nao respeitar nem a sua propia natureza interna, quis ser externo, naquilo que não é.
Ardem os olhos.

E agora do resto que foi regurgitado, ficam os fios podres entre os dentes, quizá viram cáries se não sairem dalí.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Dorso

Sim eles são seguros o suficiente,
Eu o toquei,
coloquei meu corpo em cima daquelas costas, coloquei aquilo que outrora nao havia posto.
Passei as mãos pelos seus pelos, todos desenhos, eu os desenhei, durante tantos anos
Sao fortes, mas fortes que eu mesma.

Fazem aproximadamente, não sei dizer, talvez um ano, 10 dias, 3
Eu notei logo em seguida a falta deles,
Eu que me apoiava com tanta facilidade sobre suas vértebras. Eram seguras tenho certeza,
mas agora eu não sei o tanto.
Notei logo no inicio que estava sozinha,
que aqueles passos silenciosos e abafados tátilmente pela delicadeza do kilograma existente e inexistente, não andavam mais a minha frente.

Ontem enquanto eu andava, eu vi a sombra de um deles,
E depois, quando pousei meu corpo em lençóis, um outro surgiu silenciosamente, ficou ali na porta,
como se me dissesse, porque sinto não saber mais falar a língua deles:
Agora a deixaremos a frente, mas estarei ao lado.


Que eu sonhe hoje.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

vêem-se luzes vermelhas,
em poucos pontos, mas elas estão ali, marcando com a força que podem sua presença.
Eu nunca havia as reparado antes,
talvez pelo equilíbrio que armassem elas com as outras cores verde. Talvez eu não estivesse preparada para ve-las.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Foi-se o mais rápido que a minha propia ação de lançar. Voltou com o objeto entre os dentes, apertado o suficiente pra nao me deixar pegar novamente.

domingo, 15 de agosto de 2010

Esta tocada a pele...
Paralizado, só. Devorou um momento unico, sem repetir pra gerar aléns.


Eu te disse do meu orgulho tosco, do meu sentir leve, aquele da forma mais pesada possivel, tudo isso sem mencionar nenhuma palavra. Me inseri numa falasia, que esta seca de fantasia, porque nao tinha nem nunca teve base.
Só consigo tocar paredes agora que ando, mas minhas pernas nao conseguem se sustentar por elas, mesmo com a construção bruta em pedras.



Empurrei aquele boneco (de gestos contidos no tempo e falas repetidas), que carrego por pura culpa,
e por pura culpa ponho os joelhos no chão pra responder ao seu sorriso fotografado.

Desdequechegueiaqui,dossonhosreaisesonhosacordada,tenhoouvidostodosossonsquemeacompanharamatéchegaraqui.Dossonsinternosdoprimeiroquartoemprestadoateospresentesquereebideamigos.Tenhovistotodosospersonagemdemeufilme,
todos,atéaquelesquesaomaisdeum,aquelesquesaopequenosegrandesaomesmotempo.
Desdequechegueiaquitenhoativadoumalinguaquenuncahaviausadoantes.Penseiquehouvesseusadoelaalgumdia.
Tenhoconversadocomtodososanimaisdaparede,mesmosemouviravozdeles.Achoqueporquequiztentarseralgoalemdeles.

Tenhosentidofalta só

inclusivedemimmesma

"Vuelvo al Sur"

domingo, 8 de agosto de 2010

La Nube de Caballos

Foi um movimento tão rápido de câmera que quando se percebeu havia caído daquela nuvem de cavalos,
fim daquele desde quando tinha conseguido chegar ali em cima.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

3 dias fora de meu pais

algumas torçöes se formam
E a primeira distorçao que senti foi a relaçao com o tempo.

Quando ouvi a voz da casa, meu corpo que estava em um lugar deslocou-se bruscamente para uma outra posiçao que nao aquela em que estava tendo até dois dias anteriores. Meu corpo deu uma volta, locomovendo-se de um lugar onde ele se reconhece para outro onde agora ele está, um lugar aonde ele ainda nao se sabe.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Mais e mais pernas, parecem diluir o tempo, tranformando e transfigurando aquilo que se caracteriza dia.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Agora que estou aqui, sinto o gosto da partida.



"...O primeiro sentimento será da perda pois tudo que cai na constatação
é vivido como ganho
Tudo adquirido como perda até a integração absoluta do "o percebido"
no seu ser interior.

a própia dinâmica da vida..."






Lygia Clark

domingo, 25 de julho de 2010

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Quebras de ritmos extensas
Intensos

O óbvio
Mas a tensão foi construída


Estou apenas com caixas nas mãos
A unica coisa que posso fazer
É criar novas bases, talves com o oco que agora possuo

terça-feira, 6 de julho de 2010

A velocidade tem ficado cada vez mais rápida.
Vejo pernas e pernas passando. Por causa do movimento que criam, parecem todas vir de um corpo só, como uma nuvem

segunda-feira, 5 de julho de 2010

"I'll miss the playgrounds and the animals and digging up worms.
I'll miss the comfort of my mother and the weight of the world.
I'll miss my sister, miss my father, miss my dog and my home.
Yeah i'll miss the boredom and the freedom and the time spent alone."


MGMT - Time to pretend, 2008

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Eu queria estar aqui só pra poder sentir o gosto da partida.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Estilhaçam cascos no chão.
Minha impressão e sempre será a de que os cascos se regeneram. Mas eu aposto nisto agora, pois nunca tinha cuidado de cavalos antes. Eles me lembram cães gigantes, daqueles que a gente consegue subir em cima e ir embora.

domingo, 20 de junho de 2010

Era eu um algum personagem histórico. Tinha barba, era calvo, com bigode, carregava uma protuberante pança e um olhar não conformista. Minhas roupas eram azuis claro, ao estilo vitoriano, estavam limpas apesar de me encontrar em uma especie de quarto sem móveis velho e sujo, de paredes sujas e com uma pequena janela, que iluminava bem o quarto. Eu havia sido sequestrado, era a ultima coisa da qual me lembrava. E havia um homem do outro lado da porta donde eu estava preso. O que consegui entender era a presença de alguma espécie de abertura no canto do teto daquele comodo. Foi de lá que meu personagem curioso encontrou caminho pra outras instalações daquela casa abandonada que agora servia como casa de prisioneiros. Uma casa de braços abertos à mentes instigante.
Encontrei algum caminho pouco espaçoso, pero ainda assim, a grande barriga passou.
Acabamos que saímos por uma espécie de ralo daquele monumento casa.
E ao olhar praquela iluminada vitória vi muitas imagens, muitas personagens andando naquela espécie de vista fazenda derrubada. com galihhas soltas e pessoas passeando, observando, algumas aguachadas outras rindo e então pensei a frente:

"-Que alegre seria se ao olhar para o mundo visse meus conhecidos ao invés de personagens de um livro"

E então meu desejo se tornou realidade e vi todos que estão ao meu redor agora na minha frente.
Ele me fez muito feliz.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

primeiro-movimento



Pelos eriçados, veias sufocadas,
movimentos autonomos,
Estão prestes a desabar em alguma força e vontade,
Disseram-me esperar. 

Foi tudo lançado,
talvez por balões,
talvez por espingardas,
piruás teimosos, revoltos
sem saberem exatamente aonde ir.
Talvez soubessem que seriam jogados,
arremessados, como quando fiz uma nova ordem nas coisas do quarto.
Tentei criar um algo ali de dentro, mas dali não dei resposta o suficiente, não houve resposta então. Pisaram aqui dentro do cômodo, e eu andei por aquilo deixado,
arrastando um corpo até percebe-lo sem peso. Não estava mais ali, minha pequena trouxa barriana passou a fazer parte de um outro chão ainda.
Larguei ali e
então fiquei sem coragem nenhuma pra virar pra traz.


Foi tudo lançado,

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Como poderia,
como conseguiu deixar tais olhos tão imersos em uma vasão sem fim.
Está correndo pro lado errado! É outra paralela!
Sentiu-se colado naquela pele preta e brilhante da sua boca, todo seu corpo preto, como pixe. E antes que pudesse retornar o rosto para o que o estava esperando, sentiu-se incapaz de movimentar o pescoço.
Algo de seus braços e pernas agora sangrando, teriam de ficar ali. Vazou liquidos por todo tapete de neve. Mas este era do tipo mais dura possivel, chegou somente a escorrer, todo o sangue dilui-se no mar.
direcionou a vista, mas o limite corpo visao foi interrompido ali.

Dali em diante pegou embarcação em uma grande baleia branca. Andou em toda suas costas, reconheceu cada cadeira, cada casa cada cao, cada direção. Depois encontrou um pequeno quarto solto, deitou-se na cama do quarto e ficou observando o movimento de seu corpo enquanto tentava permanecer o mais imóvel possivel. Mesmo deitado perdia equilibrio.
Sentiu o movimento do grande animal e observou o movimento do sol que se refletia no teto.
Seu corpo estava cansado o suficiente para dormir mais 19 horas

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Levantamento do "Coqueiro do fundo de casa"

Coqueiro do fundo de casa


O coqueiro do fundo de casa não ficava exatamento no fundo de casa, era uma espécie de labirinto que tinha um fim e neste fim encontava-se tal monumento. Era assim, proximo do final do roteiro que se podia avistar os olhos primeiros da casa. Sem enrrolações, ele ficava num lugar especial, à caminho dos quartos, proximo dos animais e emblemático soldado da frente da casa.
Ele era alto o suficiente pra crescer além do muro alto de casa. Tinha a pata tão grande e pesada que espalhava terra ao seu redor.
Suas folhas era tao largas que infinitas gerações de borboletas deixavam seus resquicios também lá.

Ele competia minha atenção com a nossa àrvore, mas analisando separadamente, o coqueiro do fundo de casa me era alcançavel.






Depois eu aprendi a subir em àrvores. Mas só bem depois

domingo, 16 de maio de 2010

Lanço-te a uma tarefa de escavação,
Uma incrível solução por meio da dor da carne
Rasga-se a pele através do encontro bruto e desesperado
carne vertical e terra. Uma briga unilateral aparentemente.
Eu cavei e...
Encontra-se alí carcassas, compostas e decompostas em formas e sinais que encontram-se. Daquilo, a carne foi afastada,
ficaram só os vestígios. Daquilo de dentro, carne antes vertical é carne de terra. Que embrulha na horizontalidade.
Depois dalí ela te percebe e te manda embora se quiser porque sua verticalidade não é alcançavel naquela profundidade.
Ela te manda pra vida, como já fez em primeiro. Mantemos uma conversa por enquanto, só assim, sem perder o contato - diz.

Volta a cena dos ossos, carcassas, e desenhos entrelaçados e imaginados.
E agora lê-se.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Resumindo históricamente: uma antecipação de eventos mal ocorridos. Tendo a todo momento sua chance de ocorrer integralmente, mas, a não obstrução do momento remeteria a algo não idealizado. Como um cordão que se mantem ignorado até despencar aquilo que sustenta.
Sendo assim o rastro do mesmo cheiro que vingapodrecer, nunca sairá de um processo de auto projeção


peço desculpas

domingo, 25 de abril de 2010

Passeio do dia 27 de maio do ano passado

Era um Imenso Cômodo, todo Branco, com portas e janelas bem altas e bem abertas.
A construçao, cúpula de uma torre inexistente, distorcia algumas noções de quem entrava lá.

Tudo era desarrumado e mexido. Cheio de vestigios distoantes.
Não havia uma decoração precisa ou qualquer conexão visual a outros lugares que eu já houvesse ido. Porém, tudo ali chegava aos olhos com uma certa comodidade, e o que havia de notório eram os detalhes que exigiam serem visto, olhados e temporados. Haviam móveis antigos e confortáveis, os tapetes e as cortinas grossas me chamavam a pensamentos uma familia que não haviam se plantado ali diretamente.


O Pequeno comodo se encontrava só, sozinho de uma casa.
Localizava-se em meio a grandes árvores, que dificultavam qualquer possivel visão longinqua. Passavam apenas luzes.

O Vento era um dos personagens da dança que lá ocorrera no momento da visita. Ele arrumava as cortinas, os papéis soltos, fechava os livros ou simplesmente mudava a página de algum deles. Parecia um movimento recorrente, o imaginei ali de vez em quando, sempre. Imaginei ser ele quem fazia as decisões daquele lugar inabitado. Pra mim, era ele quem decidia Oque ou quem trazia alí pra dentro e quando e como os levava embora do lugar - lá dentro me lembro de haver pilastras, e às vezes alguém se agarrava ali-. Eu me agarrei por um momento. E foi assim que entendi que o que fazia decisões alí dentro era uma junção do poder do Vento com o abrir e fechar daquelas imensas portas e janelas. Um trabalho quase em conjunto, já que este outro não pretendia assumir a autoria daquele lá, dentro da dança.

Minha viagem de volta foi toda pautada pela duvida que me batia quando pensava sobre essa briga. Em fato eu ainda não a solucionei. Assumo minha péssima conduta como cientista de tais seres. Mas, como comprometimento com tal situação, pretendo voltar a tal lugar pra continuar a pesquisa de campo.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

desenho 5

Morde a propia carne
É uma forma de punição
É rasgando que se encontra é voltando as costas pra seu própio corpo que se concebe a idéia.
É tirando os olhos pelo segundo dali da frente,
E apesar de apenas uma idéia perdida
Foi a construção de um espaço que seu própio corpo não justificou
O amor se tornou carne, o amor queimou superficie
afastou pelos, rasgou a pele e encontrou os dentes,
só não teve tempo de avaliar se encontrou a carne certa aos dentes

Começou o movimento

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Depois de um tempo comecei a notar o defeitos do cavalo que me carregava. Ele tinha um dos olhos preguiçosos e um dos dentes faltantes, bem na frente, por onde ele conseguia assobiar. Ele, as vezes me deixava irritada e daí eu podia entender que eu também pra ele devia ter meus defeitos, talvez não os que eu reparasse mas os que ele notava do jeito dele.
Ele tinha pernas largas e bastavantes e cascos bem duros, mais que meus pés que começavam a esboçar uma camada mais forte de casco este ano.
Depois, ele relinchava muito, e outros animais o respondia com muito mais freqüência do que os homens que eu conversava. Me divertia com esse encantamento. Também tinha vontade de gritar por ele. Gritar pra moscas que pousavam em suas feridas. Pros mosquitos que rodeavam sua bunda e depois paravam em seus olhos.
Até que um dia, quando encontramos a primeira praia de todas, eu o libertei. Me senti culpado e me despi daquilo que me fazia imaginar ser o dono dele, o dono de qualquer coisa que me trouxesse vida.

Passei a caminhar sozinho, mas não por muito tempo pois apareceu-me um cão certa vez, chegando bem próximo. E daí ele me pediu algo. Não pude negar, não pude nega-lo. Eternamente responsável, até que ele encontre seu próprio destino e eu o meu.
E foi assim enquanto passava por uma enorme fazenda no pé de uma montanha azul.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

"It's interesting: things should not last for a long time. Things should end.
(...)
The best thing that remains is the memory."


Almir Mavignier

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Era uma sessão de fotos,
E todas elas em Polaroids instantâneas. O resultado era visto no local, na hora.
Uma prima-criança minha era o alvo da lente. A mãe dela aparecia mas apenas por partes: Uma hora eram as pernas da mãe com a pequena correndo proxima, outra era o braço da mãe com a pequena sendo segurada, e assim ia.
Teve uma hora em que separei as fotos no chão e comecei a observá-las. Uma delas era a da pequena-prima deitada na grama com a luz apenas como um contorno de seu pequeno rosto juntamente com a grama alta de onde ela havia se deitado.
Então passei a observá-las melhor e quando percebi eu estava numa foto com mais algumas 6 crianças e minha pequena-prima, todas nós eramos pequenas crianças.
Eu ainda não sei como me senti. Não consigo recordar a sensação.
Era eu quem estava ali na foto, era eu criança junto a outras crianças que não reconheci na agora, mas talvez as reconhecesse em sonho.
Era eu quem estava ali, mas não era a minha imagem de quando relmente tinha tal idade, era uma Eu a partir de agora, pois eu me reconheci imediatamente, mesmo sabendo que a casca não era a mesma de outrora.

Depois mudou-se o tema do sonho

domingo, 11 de abril de 2010

Foi apenas 1 ano
nossas vozes haviam trocado de tom
Nossos corpos haviam mudado
Nossas casas já não eram as mesmas
Concordamos sobre isso e surgiu um abraço
referencias ao Medo sumiram, desde que nos encontramos e nos procuramos enquanto viajavamos no mesmo barco.

Fez-se mais 1 ano

sábado, 10 de abril de 2010

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Preciso de ajuda se for pra outra forma de observação,
porém por aqui ouço cirenes chuva e cavalos falando
Eu me lembro de um tiro e de gritos,
Ele nos levou até lá pra ver e eu me lembro do sangue verde que esplodia daquele assassinato no buraco
Lembro de um cavalo que veio voando do buraco
E dos que ficaram ali dentro
pois ele nos levou dali, ela não nos queria lá

E eu separei em duas coisas
Uma ciencia da morte

Cavalos e humanos
Era o cheiro de chuva e a gente voltando pro caminho que tinhamos vindo
Eu lembro dos livros, consegui ler de olhos a biblioteca inteira da minha tia
Depois teve o sumiço dos meus tios e primos
Ouvi outro barulho de tiro junto com a chuva daquela noite fundida por causa do molhado da chuva

Salmo Interminado

As vozes como preces direcionadas a um mundo mais adiante
Ao instante eterno está duplicada em minha mente
Tenho as voltas e vindas dos olhares lépidos o suficiente pra me instigar a persegui-los. Corro.
Tenho casacos simples e saudáveis, estão sempre a disposição quando me proponho a limpá-los. Bater a mão, bem forte, tirar qualquer poeira que pouse. São estátuas dignas. Dignas daquilo que sei e ao mesmo tempo daquilo em que me equilibro pra não cair. É deles que passo a imaginar

Ouço cantores a paixões, uma delas lirica. Não suporta sua própia suspensão mas é dela que vive, belamente

Há ainda um passaro que encolhe os ombros, diz que é por causa do vento. Coloca-se ao sol e anda até a proxima nuvem.

Tem uma bola enorme de animais.
Uns saltam pra buscar comida, mas logo voltam trazendo algo encantado pra todos.
O som é belissimo.

Tem um mar negro imenso, ele engoliu todos os pensamentos que eu trazia à mente enquanto o encarava. Depois que passou o farol pude retomar a percepção de guardar pra mexer depois. Dai quando nadei nas aguas ele me permitiu voltar somente se eu prometesse começar a guiar tudo novamente. Cedi. Pela primera vez.


Perdão a todos os cavalos que perdem-se enquanto seguem o fluxo. Pois o perdido foi a partir dos meus olhos, e a terra continua a sustentá-los e eu pelo menos sei saber disso. Porque foi com eles que aprendi quando bem cedo que os olhos não sabem se guiar sozinhos.

Até a nova abordagem
E te colocam ali, no meio da cuspideria, tão delicadamente que nem parece mais você
vira de outro
ou melhor, é o outro
porque não há o eu sem o outro lá


torce o dedo de novo

quinta-feira, 8 de abril de 2010

terça-feira, 6 de abril de 2010

Deve ser como torcer um dos dedos
Mas não se sente dor alguma
porque na real a ligação nunca foi feita entre os dois extremos
Assim o olho, vendo tudo aquilo, fica putamente desamparado, imaginando uma reação que caiba ali no meio

segunda-feira, 5 de abril de 2010

É algo escroto o suficiente para negar sua própia existencia diante de palavras. Descama, mela e reduz-se a pequenas palavras sujas, mas ainda assim respira e vagarosamente conclui seus passos.

sábado, 27 de março de 2010

terça-feira, 23 de março de 2010

E tiveram muitas vezes onde eu enrrolei vários tecidos em seu pescoço, costas, passando pelas pernas, ficando preso pelo rabo. Ele só olhava pra mim e deixava que eu manobrasse a tarde inteira do jeito que eu queria.

O cemitério do fundo de casa nunca tinha espaço para os animais que tivemos como estimação. Eram lagartixas, lagartas, ovinhos, passarinhos jovens e velhos, coruja, insetos bonitos. Alguns entravam em pequenos caixões, outros recebiam um embrulho com o melhor tecido que havia na casa, mas não podia deixar de haver a pequena flor pra cada um deles.
Os que permaneciam por mais tempo entre nós poupáva-nos da Dor. De alguma forma sabiamos que algo poderia acontecer e então um deles vai pra rua mas nem chega a voltar. Finge que é cotidiano.

Derrepente todos eles fogem por janelas e portões!



E o último contato que tive com todos eles foi quando me pertubei com os olhos do nosso cão Pollock. É uma forma evoluida e próxima de nós - se pudesse sentava à mesa conosco durante o jantar, como Haru já o faz -, os outro dali de dentro são os cães de sonhos, os gatos de sonho.



Aqui na rua que cruza a minha, tem um bando de cachorros. E eles estão se transformando em cães de sonho, talvez pela liberdade que os dei de me embrulharem em tecido e manobrarem o resto da minha noite.

domingo, 21 de março de 2010

Silenciou-se.
Tudo alias

É como uma suspenção. Oque acontece em uma fração de segundo parece acolher mais aquilo que é vida doque a maioria dos dias do ano. Começa a surgir novamente uma nova relação com o tempo.

sábado, 20 de março de 2010

quinta-feira, 18 de março de 2010

Naquela mesma noite eu abri a porta e a unica coisa que vi foi um grande lobo-sem-rabo.
Seus olhos eram bem grandes e amarelos, e seu bafo alcançou meu rosto quando percebi que ele pronunciava tais palavras:
- Está em busca de seu rabo também?
Eu não consegui lhe dizer nada em troca, na verdade não entendi de prontidão a pergunta.
Mas não houve tempo pra mais nada, nem uma ultima olhada pra direção daqueles pelos brilhantes
A porta se fechou.
E no dia seguinte abri a porta novamente
No outro e no outro dia também
Mas ele nunca mais apareceu

quarta-feira, 17 de março de 2010

A mesma agua que lavou seu corpo agora lhe trouxe cavalos.
Sentiu o contato de seus dedos naquele pelo aspero e gelado e não resistiu em tirar os pes do chão para alcançar o dorso do animal.
Era a primeira vez que se entregava a tal possibilidade.

Ao decidir cavalgar tais animais, voltou os olhos praquelas praias, e necessariamente praquelas pedras desgastadas pelo movimento da agua.
Não era desfeita, não era nem de longe desamor, fora o imenso amor que devotava a tais seres esgotados em seus própios peso.
Seu desejo era o de carregar aquelas pedras, amarra-las ao seu ombro e seguir então viagem. Mas os animais de pedra tinham seus propios fluxos, suas própias eras.

Wolf and Horses

quarta-feira, 10 de março de 2010

Parece intacto. Tudo permanece da mesma forma em que pretendeu permanecer, exceto pelo olhar curioso da criança que perguntou porque aqueles dragoes eram tão recorrentes às tantas pernas que sustentavam os pratos da vossa alteza?
Ali entrou outro mundo. O primeiro cruzou a idéia de cao e mesa, depois as asas levavam vinhos e chas em grandes ou pequenas cidades chinesas.
Pequenas janelas flagravam pequenos gestos, Grandes janelas flagravam imagens amassadas dependendo de onde se ousasse ver.
Teve uma sala em que cada uma da milhares de janelas guardava uma pessoa, uma a gritar, outra a falar, outra a sorrir, a gargalhar, observar, nos deixar observa-la. Era tanta coisa que ficava dificil parar o olho em um só daqueles rostos.
Era uma melodia, ensaiada a tanto tempo. E o menino com a mao da mãe começou a se perguntar como aquela musica soaria daqui a mais cem anos. Se é que toda ela conseguiria permanecer ali, a mesma.
Mas aquelas pessoas tinham seu destino, permanecer ali para o sempre. Como as estatuas que juntavam sempre uma camada fina de pó a cada dia, retirada apenas por aqueles que se diziam reconhecer seus rostos e as resgatavam com uma nova mao a cada dia.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Por cada palavra trocada com ele
Uma perda de seu propio sangue ocorria.

Eu,
senti minha garganta opaca naquela troca.
Mas por estar enfeitiçada por sua grande boca a pronunciar algo que eu compreendia mesmo em outra lingua, muito longe da minha,
continuei a dança.
Perdia minhas vestimentas e perdia minha lingua
a cada palavra trocada.
Seu corpo inteiro formado por tecidos brilhantes pedia os meus.
Os cedi, sem nenhuma renuncia.


Não havia perdas ali dentro, apenas troca. Foi o animal mais lindo que vi

sexta-feira, 5 de março de 2010

Eu tinha um pequeno macaco, o cao ao lado me ajudava a encanta-lo.
Tinha fugido de alguma caixa que nos diz o futuro,
como quando minha mae recebeu a mensagem:
"Serás mae de duas lindas criaturas"

Acho que foi o mesmo macaco que lhe apresentou a pequena tarjeta da vida.
Eu nao tinha sido localizada ainda, mas desde aquele dia nasci em algum outro lugar que agora estou procurando.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Pousou uma das patas na grama molhada, silenciosamente. Em seguida começou a abortá-la ali mesmo.
Depois seguiu para as outras pernas.
No fim, A única coisa da qual tinha consciencia era o cérebro, ainda estava vivo. Sem uma estrutura delgada e delicada, sem suporte, mas ainda existia.
A dor sentida ali ultrapassava corpo,
e a imagem focada à sua frente não era aquele rio borrando-se em luzes ao vento e sim uma imagem solta, tornando-se caótica, abrupta, num misto formal de resgate e auto-criaçao a cada movimento.

A maravilha!
Soluçou. Era toda aquela água vazando-lhe o corpo.
Não foi seu corpo que alcançou as aguas, foram as aguas que mudaram seu curso, apenas para traze-lo de volta.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

"Tão alta que sou nos braços de meu irmão"

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Para enfrentar o monstro do ar,

Tenho meus lobos
e meus grandes cavalos brancos azuis.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

O menino da grande embarcação

Pronto, começou assim, quando tinha acabado de ler Os Covardes. Sentou-se pra ver o filme da capa amarela. Colocou os olhos e os pés em cada cena. Caiu no sofa e o filme tinha acabado de começar:
Eram poucos dias até o começo daquela vertigem da bebedeira. Entregou-se a mais outros goles durante 4 meses e então começou a recordar cada memória daquela moça querida.
Depois quis matá-la, mesmo que em sonhos.
E o fez.
Mas ele acreditava em fantasmas ou então foi obrigado a acreditar, pois ela cruzava seus caminhos pra onde quer que ele decidisse ir. Até mesmo nos sonhos.


Eu e ele tinhamos e ainda temos aquela estranha mania de juntar partes, guardar pedaços.
Pra mim, todo apoio, mesmo que material, não me deixa afogar naquilo que ainda não sei o que sou.
Pra ele, era uma tática de não deixar o mundo afogá-lo.
Ele juntava cada parte e encaixava. No começo do fim tinha uma embarcação completa, com vários compartimentos. Lembro-me de visitá-lo e ver aquele mundo de pessoas que passou a acompanhá-lo naquela aventura. Belos objetos.
Eu abri o máximo que pude os olhos, pra tentar absorver aquela beleza toda, mas foi assim que meus pés descolaram-se daquele chão de copos, brinquedos, instrumentos e roupas.

Fui desgrudada de lá, eu não era mais permitida ali. Talvez como todas aquelas pessoas lá dentro tivessem sido um dia, desgrudadas e proibidas a a partir de um ponto. Sobrando apenas uma imagem daquilo que tinhamos criado e por fim recheado. Eram de fato belos objetos.



Ontem li em algum lugar, não me lembro. Algo próximo de que seu barco havia se chocado com uma pequena casa, mais dura e muito mais tátil que todas aquelas coisas que formavam sua grande embarcação. E que por quase se afogar naquele desmanchar do navio mundo, foi parar dentro daquela casa, a unica coisa que podia salva-lo.



Agora posso visitá-lo.

Dois sóis inversos.
Dois sóis pretos pequenos num mundo amarelo.
Eram grandes. Grandes sóis inversos negros o mais fundo possível, num imenso campo amarelo, imenso jardim.
Ainda estou a olhar.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Maresias

E eu me apaixonei por um cara que teve a oportunidade de voltar no tempo e
no tempo dos tempos
enquanto cedia seu corpo ao mar

Enquanto há no corpo marcos do mar

sábado, 6 de fevereiro de 2010

"Pai! você pescou um peixe macaco!"
E eu me lembro até hoje da cara feliz que ele devolveu pra Tati.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Preenchendo a mão com o Maximo que conseguia, desceu as escadas entrou a primeira a direita, bateu o ossinho da bacia na mesa de jantar, ignornado a dor, abriu a porta dos fundos e enquanto suas pernas o guiavam, os olhos estarrecidos negavam-se a acreditar.

Foram 100 dias parados assim,

E foi quando ouviu estalos de quebra que conseguiu se lembrar do que trazia entre os dedos e a palma da mão.

Eu ainda te ouço, ainda ouço soluços e olhos sem amparo. O cheiro não sai do meu nariz, quem sabe do meu corpo ou então do teto. Eu consigo pisar ali mais muitas vezes, tudo naquele chão melado de nossas lembranças mais que táteis.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Eram casas e casas afogadas, todas apenas podiam ceder como chão seus telhados que respiravam a terra que carregavam dentro de si.
Uma hora alcançamos uma terra batida inclinada, a agua que corria por ali ainda era mansa quase sem reação, apenas as internas. Mas logo em seguida partimos, eu tinha noção de que aquilo sumiria também nos poucos minutos que ficassemos ali a admirar.
Outra hora estavamos todos chegando por um muro a um telhado velho, onde um gato de pelo preto o habitava. Ele nos levou até um forro onde as aguas não tinham chegado ainda e nos contou sobre a reliquia que havia ali em baixo. Nos contou que todas as almas daquela casa ja haviam morrido e que assim ele mesmo se incubira na tarefa de guardar aquele lugar invisivel a nós, mas real o bastante pra ele.
Nos cedeu um martelo e uma chave de fenda e pudemos ir então, seu sorriso denunciava leveza acima de tudo.

Você nunca vai deixar de usar os "tudo" "todo" "todas"?
É que eu não consigo separar nada do tudo, se um dia o fizer serei como aquele gato e então quem sabe um dia chegarei a esboçar tal sorriso.

E então passevamos todos por uma grande rua de pedras. Tinha um uma igreja ou escola logo abaixo, a nossa esquerda. Havia também uma fonte as nossas costas e uma grande praça úmida com arvores fechadas a nossa direita. E haviam também muitas pessoas que andavam naquele imenso lugar. Cada um seguiu uma direção oposta da outra, mas o que conseguiu prender meu corpo naquelas pedras foi o gigantesco monumento a minha frente. Era uma espécie de arco do triunfo, com mais 2 fileiras de arcos a sustentá-lo cada uma com mais 3 mini arcos abaixo do principal arco que fica no topo. Havia uma imagem dentro do grande arco mas eu não consegui definir tal personagem, apenas sua sombra.
O céu era escuro apesar de parecer dia, e as luzes traziam uma intensa melancolia àquele imenso lugar. Comecei a ver tudo ao mesmo tempo, a praça, o chafariz, o monumento, a escola negra e cada paralelepipedo que brilhava naquele chão, naquela hora.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Seu corpo esteve fora de qualquer reação. Apenas sentiu seus labios torcerem-se enquanto via aqueles seres se aproximarem.
E a unica coisa que podia fazer era tentar se salvar através dos olhos que lhe dava mãos.
Segurou-se. Mas não fora o suficiente.
Vinham eles, ferozes, arrancando cada pedaço
Cada um pegava o seu e partia,
mas teve um, mais egoista, que levou muitas partes,
conseguindo cobrir as própias costas

Fingiu não ouvir nada
Ele sabia que de qualquer forma continuava inteiro, mesmo não entendendo o grau e a veracidade daquele sonho.

Porque não falava, cresceu-lhe as orelhas.
porque não enxegava, cresceram-se os olhos.
porque sonhava deram-lhe um campo.

Primeiro correu sem direção prevista, apenas pra sentir as pernascompridas.
Em seguida, doeu-lhe a primeira vez o estômago.
Cambaleou sob as pernas,
e então usou um dos grandes olhos.
Assustado, um dia escondeu-se numa árvore.

Teve também um dia que chorou tanto,
tanto que fechou os olhos quase que eternamente
e quando percebeu, estava a engolir tudo pelos sons.
Como quando criança diz estar engolindo carros na estrada. É só encostar metade do rosto no vidro e com a boca aberta em direção a linha da estrada e esperar o carros passarem do outro lado da pista.

- Conte quantos carros eu consigo comer enquanto você contar até 10!
Quem ganha é sorte pura!

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Foi caminhando entre portais que cheguei até aqui.
Mas sabe que só agora comecei a vê-los?

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Dois caes

Ele andava ao meu lado, tinha a respiração tão brutalmente atordoada que seus sons internos demonstravam voz aos ouvidos. E eu lhe disse sobre não poder alcança-lo.

Olhou firmemente em meus olhos,
os seus rodavam buscando, apesar de permanecerem sempre a mirar os meus.
Será que eram os meus olhos que corriam buscando naquilo ou será que nós dois participávamos ali de uma luta sem vencedores nem perdedores dentro destes dois lados,
seria uma luta contra algo outro ainda?


Fechei os olhos e o vi tombar.
E então vi nascer, em ordem de tempo, 6 pequenas flores do caminho onde andara.
Onde seu corpo se deitou, brotou uma flor ainda menor, com pétalas ainda menores, eram pequenas e lilás. Abriu-se.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Hoje

Entendi o som da moto que me contou
Entendi o poder da voz do Homem que gritava e
que mesmo o ouvindo falar baixinho tinha receio
Entendi que ouvia apenas uma pequena fração daquilo que você me cantava
E principalmente, Soube o quando eu me apaixonei por aqueles sinceros sons envoltos
como soluço no liquido, mudos a ti

Entendi por enquanto

Da última vez que passou por aqui o vi frenético
Conhecia tão bem aquelas artérias que nem sequer pousava os pé no chão
Reparei em seus olhos, não tinham mais a cor de antes e apenas o movia de acordo com os sons, como se estivesse em um R.E.M.

Imagine que lindo, sonhar com os sons
Ele conseguiu se desvencilhar da poética visual!

Não! ele partiu daqui, seus orgãos já estavam desenvolvidos o suficiente para reter muito do que viu enquanto esteve





(Falavam enquanto olhando um buraco no chão)

Parou

Parou porque não conseguia mover nem mais um único pensamento

Falar da Boneca é menos doloroso

Foi quando percebeu que a unica coisa que entendia sobre psicólogos e psiquiatras eram os lobos e a tela

Da obra prima intocavel começaram a ceder os óleos

Ao doer do vento ficaram todos os ossos



...


Cheirou um dos dentes que rolou dali

Foi o mais próximo que eles chegaram daquela auto-carnificina

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Página do Diario

Hoje voltei de uma longa viagem
Mas na verdade, assim de primeira eu me esqueci de onde estive,
Tudo Porque eu tinha dormido
Mas
nem o sonho, que era de costume escreve-los, não escrevi. Não, porque não o lembrei quando abri os olhos
E quando abri os olhos,
numa primeira abertura, notei que havia algo de muito estranho:
Minhas pernas bateram uma na outra, tive dificuldade de mover qualquer membro
Pois eles eram enoormes,
Meus braços eram enoooormes, meus dedos, e eu era magrela e alta,
Uma pessoa bem comprida
com um cabelo comprido e liso
e olhos amplos em suas laterais com grandes cilhos, dum tipo que gosto de desenhar
quase não coube na cama e no lençol que me embrulhava.

Passei a não caber no meu própio corpo.
Tão pequena, que sobrava espaço oco de mim até o limite das pontas dos dedos do pé e da mão.





Bati as palpebras novamente


E escrevi sobre o sonho de hoje