meu corpo e' torto, livre das amarras proprias do meu ser criador, ser todo Eu. Eu te recrio,
filho de uma imagem de espelhos. No fim vejo a mim mesma. Parece ser o unico lugar ao qual consigo enxergar, por enquanto, pois me nego a qualquer rotina da morte, assumo qualquer rotina que ela me jogue, eu a engulo, mastigo ate sair o gosto da erva, depois talvez cuspa o corpo fora, ou entao o deixo assim, do lado da bochecha, formar aos olhos de outros doenca de quem nao conhece minha tradicao andina.
sexta-feira, 29 de abril de 2011
quinta-feira, 28 de abril de 2011
Como danca partidaria do insensato, sermao de frases incongruentes, risos estourados.
Plagio a voz que me fala a sinceridade, e me escondo nas mesmas falas. Ao melhor, me mostro com elas, pra ela, com as palavras dela, para talvez atingi-la em cheio. Prefiro ouvi-la, assim como quem so observa o movimento do vento, seus indices construtivos.
Eu ja nao te olho como quem olha de susto e entra, como quando vi o animal que parou diante da minha porta. A deixo meio assim, abro a porta aos poucos para ver se ainda esta. Se nao, vou buscar com o olho passos que tenha dado.
Passando a fase inconsequente, dos versos entrecruzados e das risadas estouradas pela imagem criada e saltada ao corpo. Assalto ao corpo, misto de memoria do que nao existiu, aguarrando a materialidade do ja ocorrido, e que alem quer ser.
Como as patas dos cavalos, nao deixa-las que me massacrarem.
Depois de perder grande parte dos ossos, eu subi por elas, cheguei ao topo das espaldas. E' dali que surgem as ondas, um mar todo formado com aquele movimento: se olho pra baixo vejo uma altura que nao me sustenta mais, nao me da mais medo; se olho pra cima nao vejo nada por causa do sol; Se olho pra frente vejo a cabeca dos cavalos, todos correndo, e nas orelhas tatuagens de raios, pra eu nunca me esquecer de evitar trazer comigo os espolios dos mortos em batalha.
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Rimbaud paralelo ascendente
INFÂNCIA
V
"Que me aluguem enfim este túmulo caiado, com linhas de cimento em relevo
- bem fundo na terra. Cotovelos na mesa, a lâmpada ilumina muito bem esses jornais que releio de idiota, esses livros sem interesse.
- A uma distância enorme acima da minha sala subterrânea, casas se enraízam, brumas se reúnem. A lama é vermelha ou negra. Cidade monstro, noite sem fim! Menos alto, os esgotos. Dos lados, apenas espessura do globo. Talvez abismos de azul, poços de fogo. São talvez nestes níveis que luas e cometas, fábulas e mares, se encontrem. Nas horas amargas, imagino bolas de safira, de metal. Eu sou o mestre do silêncio. Por que uma aparência de respiradouro desbotaria num canto da abóbada?"
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quarta-feira, 27 de abril de 2011
guion visible para Marguerite Duras:
Sonido del Mar. Constante.
Vilas inteiras soterradas pelo vento do olhar. Ali no momento. Nao ha pessoas, so lugares.
Depois entraremos com as pessoas, mas sem o cenario, so areia.
Comece comentando sobre o rei daquele pais. Sobre sua queda, sua ultima frase imaginada. Uma analogia semantica prudente. Um romance inalcancado que vai servir de redencao de imagem ao povo.
Agora ele e coroado, por tudo aquilo que nunca chegou a ser. Eu vos declaro: imagem e corpo, preenchidos por varios olhos, exceto por aqueles dois ali abertos.
Naquela sala em que nos nos recollhiamos, naquelas mesas, tudo soterrado pela forca das aguas, forca de areia e tempo. Enrigecidos e firmes meus membros assim, como o proprio movimento do corpo que olha pra dentro do comodo construido por Patti para Mapplethorpe.
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terça-feira, 26 de abril de 2011
"Like playing in the sea, in the sea of possibility, the possibility"
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00:00
Te busquei. Eu nao te julgo. So a mim causara a dor de corte, te emprevi antes de te matar aos sonhos, alias usei destas aguas pra te afogar. Eu peguei nos remos e fiz o corte na brusquedade. Em ambos. Em terceiros, em quartos de quintos.
Fez sonar ao meu ouvido a dor de uivos. Quem nunca havia me dito, agora me deixava ouvir, e mesmo a kilometros e poucos metros de centimetros de distancia eu torci a coluna e esgarcei o ouvido. Seria mais facil te ouvir daqui, mas dai entrou a morte novamente, desta vez eu era assassinada.
Agora sem faca, sem pele, rouca. Eu tenho o deserto todo pra atravessar.
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segunda-feira, 25 de abril de 2011
Rimbaud paralelo
INFÂNCIA
III
"Nos bosques tem um pássaro, você pára e cora com seu coro. Tem um relógio que não toca nunca. Tem uma brecha no gelo com um ninho de bichos brancos. Tem uma catedral que sobe e um lago que desce. Tem uma pequena carruagem abandonada na moita, ou que passa correndo, decorada. Tem uma trupe em trajes de comédia, espiada pela trilha da floresta. E então, quando você tem fome e sede, tem sempre alguém que te manda passear."
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domingo, 24 de abril de 2011
coçam a boca,
a imagem turva passa a se definir, eu insisto em tirar os oculos,
mas a visao vai se revelando.
A camera é tremula, os caminhos sao vagos e tremulos. Tudo vai desmoronando. Eu evitei essa imagem ate Agora danco no chao de ondas que me levam e trazem pra estes lugares conhecidos. negados.
Mesmo em casa sinto movimentos de ondas no corpo, nada tranquilo, ja que aquela terra me ergueu aqui.
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terça-feira, 19 de abril de 2011
sexta-feira, 15 de abril de 2011
Talvez o sono mais pesados de todos, Quando o corpo perde o parametro da forca que exercia. O sonho da grande casa Mattaclarkiana talvez solucionasse isso.
Talvez, eu ainda nao sei o oque decidir,
Mas desde que perdi algo em outro pais e senti o corpo pluma, passei a tentar enxergar o rastro do pe, depois a pegada. Agora falta parar de olhar so pra cima e ver ao mesmo tempo pra frente e pra baixo. Desde que meus oculos me possibilitam ver o que vai ao fundo.
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quinta-feira, 14 de abril de 2011
Ultima vez que dormiu e esperou a senha. Na verdade a senha viria a partir da reforma dos proprios pensamentos, tudo havia se esgotado ali dentro. Com a sorte do mestre do modesto acaso espero reverter minha visao simploria e desgastante. Algo que choacoalhe a caixa, a coloque de ponta cabeca, so.
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quarta-feira, 13 de abril de 2011
O problema era voltarse louco.
Nao sabia se virava o rosto aqueles dentes compridos.
Derrepente, o sorriso o captou. Ele nao entendia, mas sabia que alguma parte de seu corpo fora daquela realidade era capaz de ver o brilho ali naquelas formas.
Voltouse louco que seja de outra forma, ali estava seu destino.
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terça-feira, 12 de abril de 2011
"mírame pronto
antes que en un descuido
me vuelva otro"
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terça-feira, abril 12, 2011
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