sábado, 27 de março de 2010

terça-feira, 23 de março de 2010

E tiveram muitas vezes onde eu enrrolei vários tecidos em seu pescoço, costas, passando pelas pernas, ficando preso pelo rabo. Ele só olhava pra mim e deixava que eu manobrasse a tarde inteira do jeito que eu queria.

O cemitério do fundo de casa nunca tinha espaço para os animais que tivemos como estimação. Eram lagartixas, lagartas, ovinhos, passarinhos jovens e velhos, coruja, insetos bonitos. Alguns entravam em pequenos caixões, outros recebiam um embrulho com o melhor tecido que havia na casa, mas não podia deixar de haver a pequena flor pra cada um deles.
Os que permaneciam por mais tempo entre nós poupáva-nos da Dor. De alguma forma sabiamos que algo poderia acontecer e então um deles vai pra rua mas nem chega a voltar. Finge que é cotidiano.

Derrepente todos eles fogem por janelas e portões!



E o último contato que tive com todos eles foi quando me pertubei com os olhos do nosso cão Pollock. É uma forma evoluida e próxima de nós - se pudesse sentava à mesa conosco durante o jantar, como Haru já o faz -, os outro dali de dentro são os cães de sonhos, os gatos de sonho.



Aqui na rua que cruza a minha, tem um bando de cachorros. E eles estão se transformando em cães de sonho, talvez pela liberdade que os dei de me embrulharem em tecido e manobrarem o resto da minha noite.

domingo, 21 de março de 2010

Silenciou-se.
Tudo alias

É como uma suspenção. Oque acontece em uma fração de segundo parece acolher mais aquilo que é vida doque a maioria dos dias do ano. Começa a surgir novamente uma nova relação com o tempo.

sábado, 20 de março de 2010

quinta-feira, 18 de março de 2010

Naquela mesma noite eu abri a porta e a unica coisa que vi foi um grande lobo-sem-rabo.
Seus olhos eram bem grandes e amarelos, e seu bafo alcançou meu rosto quando percebi que ele pronunciava tais palavras:
- Está em busca de seu rabo também?
Eu não consegui lhe dizer nada em troca, na verdade não entendi de prontidão a pergunta.
Mas não houve tempo pra mais nada, nem uma ultima olhada pra direção daqueles pelos brilhantes
A porta se fechou.
E no dia seguinte abri a porta novamente
No outro e no outro dia também
Mas ele nunca mais apareceu

quarta-feira, 17 de março de 2010

A mesma agua que lavou seu corpo agora lhe trouxe cavalos.
Sentiu o contato de seus dedos naquele pelo aspero e gelado e não resistiu em tirar os pes do chão para alcançar o dorso do animal.
Era a primeira vez que se entregava a tal possibilidade.

Ao decidir cavalgar tais animais, voltou os olhos praquelas praias, e necessariamente praquelas pedras desgastadas pelo movimento da agua.
Não era desfeita, não era nem de longe desamor, fora o imenso amor que devotava a tais seres esgotados em seus própios peso.
Seu desejo era o de carregar aquelas pedras, amarra-las ao seu ombro e seguir então viagem. Mas os animais de pedra tinham seus propios fluxos, suas própias eras.

Wolf and Horses

quarta-feira, 10 de março de 2010

Parece intacto. Tudo permanece da mesma forma em que pretendeu permanecer, exceto pelo olhar curioso da criança que perguntou porque aqueles dragoes eram tão recorrentes às tantas pernas que sustentavam os pratos da vossa alteza?
Ali entrou outro mundo. O primeiro cruzou a idéia de cao e mesa, depois as asas levavam vinhos e chas em grandes ou pequenas cidades chinesas.
Pequenas janelas flagravam pequenos gestos, Grandes janelas flagravam imagens amassadas dependendo de onde se ousasse ver.
Teve uma sala em que cada uma da milhares de janelas guardava uma pessoa, uma a gritar, outra a falar, outra a sorrir, a gargalhar, observar, nos deixar observa-la. Era tanta coisa que ficava dificil parar o olho em um só daqueles rostos.
Era uma melodia, ensaiada a tanto tempo. E o menino com a mao da mãe começou a se perguntar como aquela musica soaria daqui a mais cem anos. Se é que toda ela conseguiria permanecer ali, a mesma.
Mas aquelas pessoas tinham seu destino, permanecer ali para o sempre. Como as estatuas que juntavam sempre uma camada fina de pó a cada dia, retirada apenas por aqueles que se diziam reconhecer seus rostos e as resgatavam com uma nova mao a cada dia.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Por cada palavra trocada com ele
Uma perda de seu propio sangue ocorria.

Eu,
senti minha garganta opaca naquela troca.
Mas por estar enfeitiçada por sua grande boca a pronunciar algo que eu compreendia mesmo em outra lingua, muito longe da minha,
continuei a dança.
Perdia minhas vestimentas e perdia minha lingua
a cada palavra trocada.
Seu corpo inteiro formado por tecidos brilhantes pedia os meus.
Os cedi, sem nenhuma renuncia.


Não havia perdas ali dentro, apenas troca. Foi o animal mais lindo que vi

sexta-feira, 5 de março de 2010

Eu tinha um pequeno macaco, o cao ao lado me ajudava a encanta-lo.
Tinha fugido de alguma caixa que nos diz o futuro,
como quando minha mae recebeu a mensagem:
"Serás mae de duas lindas criaturas"

Acho que foi o mesmo macaco que lhe apresentou a pequena tarjeta da vida.
Eu nao tinha sido localizada ainda, mas desde aquele dia nasci em algum outro lugar que agora estou procurando.