Eram casas e casas afogadas, todas apenas podiam ceder como chão seus telhados que respiravam a terra que carregavam dentro de si.
Uma hora alcançamos uma terra batida inclinada, a agua que corria por ali ainda era mansa quase sem reação, apenas as internas. Mas logo em seguida partimos, eu tinha noção de que aquilo sumiria também nos poucos minutos que ficassemos ali a admirar.
Outra hora estavamos todos chegando por um muro a um telhado velho, onde um gato de pelo preto o habitava. Ele nos levou até um forro onde as aguas não tinham chegado ainda e nos contou sobre a reliquia que havia ali em baixo. Nos contou que todas as almas daquela casa ja haviam morrido e que assim ele mesmo se incubira na tarefa de guardar aquele lugar invisivel a nós, mas real o bastante pra ele.
Nos cedeu um martelo e uma chave de fenda e pudemos ir então, seu sorriso denunciava leveza acima de tudo.
Você nunca vai deixar de usar os "tudo" "todo" "todas"?
É que eu não consigo separar nada do tudo, se um dia o fizer serei como aquele gato e então quem sabe um dia chegarei a esboçar tal sorriso.
E então passevamos todos por uma grande rua de pedras. Tinha um uma igreja ou escola logo abaixo, a nossa esquerda. Havia também uma fonte as nossas costas e uma grande praça úmida com arvores fechadas a nossa direita. E haviam também muitas pessoas que andavam naquele imenso lugar. Cada um seguiu uma direção oposta da outra, mas o que conseguiu prender meu corpo naquelas pedras foi o gigantesco monumento a minha frente. Era uma espécie de arco do triunfo, com mais 2 fileiras de arcos a sustentá-lo cada uma com mais 3 mini arcos abaixo do principal arco que fica no topo. Havia uma imagem dentro do grande arco mas eu não consegui definir tal personagem, apenas sua sombra.
O céu era escuro apesar de parecer dia, e as luzes traziam uma intensa melancolia àquele imenso lugar. Comecei a ver tudo ao mesmo tempo, a praça, o chafariz, o monumento, a escola negra e cada paralelepipedo que brilhava naquele chão, naquela hora.
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
Seu corpo esteve fora de qualquer reação. Apenas sentiu seus labios torcerem-se enquanto via aqueles seres se aproximarem.
E a unica coisa que podia fazer era tentar se salvar através dos olhos que lhe dava mãos.
Segurou-se. Mas não fora o suficiente.
Vinham eles, ferozes, arrancando cada pedaço
Cada um pegava o seu e partia,
mas teve um, mais egoista, que levou muitas partes,
conseguindo cobrir as própias costas
Fingiu não ouvir nada
Ele sabia que de qualquer forma continuava inteiro, mesmo não entendendo o grau e a veracidade daquele sonho.
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quinta-feira, janeiro 21, 2010
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Porque não falava, cresceu-lhe as orelhas.
porque não enxegava, cresceram-se os olhos.
porque sonhava deram-lhe um campo.
Primeiro correu sem direção prevista, apenas pra sentir as pernascompridas.
Em seguida, doeu-lhe a primeira vez o estômago.
Cambaleou sob as pernas,
e então usou um dos grandes olhos.
Assustado, um dia escondeu-se numa árvore.
Teve também um dia que chorou tanto,
tanto que fechou os olhos quase que eternamente
e quando percebeu, estava a engolir tudo pelos sons.
Como quando criança diz estar engolindo carros na estrada. É só encostar metade do rosto no vidro e com a boca aberta em direção a linha da estrada e esperar o carros passarem do outro lado da pista.
- Conte quantos carros eu consigo comer enquanto você contar até 10!
Quem ganha é sorte pura!
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quinta-feira, janeiro 21, 2010
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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Foi caminhando entre portais que cheguei até aqui.
Mas sabe que só agora comecei a vê-los?
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terça-feira, janeiro 19, 2010
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segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Dois caes
Ele andava ao meu lado, tinha a respiração tão brutalmente atordoada que seus sons internos demonstravam voz aos ouvidos. E eu lhe disse sobre não poder alcança-lo.
Olhou firmemente em meus olhos,
os seus rodavam buscando, apesar de permanecerem sempre a mirar os meus.
Será que eram os meus olhos que corriam buscando naquilo ou será que nós dois participávamos ali de uma luta sem vencedores nem perdedores dentro destes dois lados,
seria uma luta contra algo outro ainda?
Fechei os olhos e o vi tombar.
E então vi nascer, em ordem de tempo, 6 pequenas flores do caminho onde andara.
Onde seu corpo se deitou, brotou uma flor ainda menor, com pétalas ainda menores, eram pequenas e lilás. Abriu-se.
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segunda-feira, janeiro 18, 2010
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terça-feira, 12 de janeiro de 2010
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Hoje
Entendi o som da moto que me contou
Entendi o poder da voz do Homem que gritava e
que mesmo o ouvindo falar baixinho tinha receio
Entendi que ouvia apenas uma pequena fração daquilo que você me cantava
E principalmente, Soube o quando eu me apaixonei por aqueles sinceros sons envoltos
como soluço no liquido, mudos a ti
Entendi por enquanto
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segunda-feira, janeiro 11, 2010
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Da última vez que passou por aqui o vi frenético
Conhecia tão bem aquelas artérias que nem sequer pousava os pé no chão
Reparei em seus olhos, não tinham mais a cor de antes e apenas o movia de acordo com os sons, como se estivesse em um R.E.M.
Imagine que lindo, sonhar com os sons
Ele conseguiu se desvencilhar da poética visual!
Não! ele partiu daqui, seus orgãos já estavam desenvolvidos o suficiente para reter muito do que viu enquanto esteve
(Falavam enquanto olhando um buraco no chão)
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segunda-feira, janeiro 11, 2010
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Parou
Parou porque não conseguia mover nem mais um único pensamento
Falar da Boneca é menos doloroso
Foi quando percebeu que a unica coisa que entendia sobre psicólogos e psiquiatras eram os lobos e a tela
Da obra prima intocavel começaram a ceder os óleos
Ao doer do vento ficaram todos os ossos
...
Cheirou um dos dentes que rolou dali
Foi o mais próximo que eles chegaram daquela auto-carnificina
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segunda-feira, janeiro 11, 2010
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sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
Página do Diario
Hoje voltei de uma longa viagem
Mas na verdade, assim de primeira eu me esqueci de onde estive,
Tudo Porque eu tinha dormido
Mas
nem o sonho, que era de costume escreve-los, não escrevi. Não, porque não o lembrei quando abri os olhos
E quando abri os olhos,
numa primeira abertura, notei que havia algo de muito estranho:
Minhas pernas bateram uma na outra, tive dificuldade de mover qualquer membro
Pois eles eram enoormes,
Meus braços eram enoooormes, meus dedos, e eu era magrela e alta,
Uma pessoa bem comprida
com um cabelo comprido e liso
e olhos amplos em suas laterais com grandes cilhos, dum tipo que gosto de desenhar
quase não coube na cama e no lençol que me embrulhava.
Passei a não caber no meu própio corpo.
Tão pequena, que sobrava espaço oco de mim até o limite das pontas dos dedos do pé e da mão.
Bati as palpebras novamente
E escrevi sobre o sonho de hoje
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sexta-feira, janeiro 01, 2010
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