sábado, 20 de novembro de 2010

Ele olhou olhou e viu

Largou a mão da mãe rispidamente,
(Mas o problema não era ela)
torcia a feição enquanto caminhava decidido em direção ao que o transtornava.
Derrepente, parou, olhou todas aquelas flores servidas pelo chão e começou a pisar com força em cada uma delas. Sabia que feria àqueles que gostavam delas, mas era a unica forma de colocar aquela raiva em realidade, já que foi o pequeno mesmo quem as plantou todas ali. Ele sabia oque e quem ele havia trazido com a criação delas.

Ao final de duas horas, tudo estava destruido. As cores ainda estavam deitadas no chão.
Ver aquilo não fez seu pequeno coração encontrar satisfação, mas não era aquilo que ele buscava também.

Deitou ali no meio delas, naquela pequena umidade e pediu pela noite, porque ali, ali ele poderia ver alguma coisa no céu, rabiscando naquela imensa imagem, sozinho talvez.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

A ultima imagem que passou diante daqueles olhos:
cavalos que saltavam, negros brancos e marrons,
A visao que ambas ainda tentavam acompanhar, mas aquele movimento todo varria-se.
Eles buscavam-na, puxavam-na, mas ela não sentia, ou se fazia não sentir?
Eu não sei.

Apenas olho ao redor daquela cena, praquelas luzes todas, e não enxergo nada que não seja aquela temperatura amarela, aqueles brilhos acesórios, chamativos o suficiente pra uma crianca.
E eu não a entendo, apenas estou entretida com aquele movimento agora.

Ela estava deitada em uma de suas mil camas, com um dos seus óculos preferidos; aros largos e vermelhos, aquele que ganhou de sua tia. Seu cabelo escorria-lhe negro sobre o rosto. Não tinha mais nada, nem roupa nem carne nem pó nem o peso da alma.
Eu me vi no reflexo dos olhos.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

"There are people who eat earth and eat all the people on it like in the Bible with the locusts. And other people who stand around and watch them eat."


(Lillian Hellman, from "The Little Foxes", 1939)

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Texto provisório

Ainda ouve a exclamacao das pernas, infinitas.
Eu tenho ideia, mas nao tanta. Eu finjo que tenho. Mas só para mim mesma, Pra mais ninguem.
Preciso dessa invencao, dessa nao constatacao do que deveria ser. Aprendi isso em meu segundo ano de vida, quando me fizeram andar. Disseram, levanta e anda. Fui toda lenta e torta.


Estavamos em uma grande praia, grande mar, infinito.
Eu decidi observar aquelas pequenas partes, decidi fiscalizar aquilo que prendía meus olhos no chao. Outra parte de mim, um pouco mais adiante olhou pro mar. A infinitude para ela era mais larga que aquela pequena inundacao de cristais. Ela partiu e assim foi, eu cai. Desde entao passei a buscar seguranca em animais quadrupedes. O primeiro foi um elefante amarelo, coloridos, depois vieram os ursos, as tartarugas, os passaros, ratos, gatos, lagartos... . E dentre todos eles haviam os lobos, aqueles que mais perfeitos foram. Tinham minha altura, tinham forca para me aguentar e eram rápidos com suas pernas como a minha falta de atencao na escola. Dentre tantos e todos, foram deles que aprendi a minha primeira lingua. As outras tantas que penso possuir nao sao tao fortes como esta primeira lingua. Nunca foram , e nunca serao. Nem o meu querido e própio portugues pelo qual conto deles pra voces é tao forte.



Mas ouve um dia em que eu decidi subir nas costas de cavalos. Eu tinha olhado o mar, era a primeira vez que tocava o mar com as minhas duas maos. Eles me levaram e desde entao eu passei a sentir vertigem pela altura. Tinha me acostumado as costas dos lobos, a altura que eles me davam. Já nao era mais eu ali, me formei alta e grande massa daquele movimento. Efeitos de persistencia retiniana, infinitos de pernas.
Eu trai meus lobos.

Como penitencia, primeiro eles sumiram. Depois, pela apelacao que fiz a eles, apareceram aos poucos, mas permaneciam calados.

Até que entao eu percebi,
Que durante aquela danca com os cavalos eu perdi a unica coisa que carregava aqui comigo, a Lingua dos Lobos. Eu nao tinha mais voz, eu nao tinha mais a voz deles. Eu nao era capaz de ouvi-los, pois sei que falavam comigo, sei que gritavam e berravam como naquelas tantas e tantas noites que acordei assustada por seus uivos doloridos. Eu perguntava desesperada a e eles me respondiam, mas eu nao entendia. Eu nao os compreendia eu nao me compreendia. Passei a teme-los. Passei a teme-los.

Em meio a uma dessas tristes noites de uivos, um deles decidiu nao me acordar com sua voz, naquela noite em especifico. E quando acordei, abri a porta de casa e a primeira coisa que vi foi um grande lobo em pé, de olhos amarelos e sem rabo. Mencionou as seguintes palavras:
- Estas em busca de seu rabo também?
E eu nao soube formular uma resposta, na verdade nem pensei nisso, o susto de ve-lo e ouvi-lo falar foi tao grande que eu fechei a porta na cara dele. Eu nao o reconheci, carne minha, nao o reconheci.
Quando voltei a abrir a porta ele já nao estava mais lá, mas senti que nao estava longe, como o rastro de presenca que deixou pelo caminho que fez, creio eu que ele se assustou também. O tempo do corpo e da mente sao diferentes e eu nunca soube manobrar essa diferenca entre ambos muito bem, e um certo reflexo foi gerado ali entre ambos.
Mas foi a tao falada por meu pai "intuicao" que me pediu pra eu seguir ele, já que olhei pra tras e percebi que também nao tinha rabo, que todo o problema da minha vida, toda minha falta de equilibrio estava na ausencia de um rabo. E eu parei alguns séculos pra pensar aonde foi que o perdi, quando foi que ele se despregou daqui. Eu parei pra dar sentido a uma dor que sentia.