quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Pousou uma das patas na grama molhada, silenciosamente. Em seguida começou a abortá-la ali mesmo.
Depois seguiu para as outras pernas.
No fim, A única coisa da qual tinha consciencia era o cérebro, ainda estava vivo. Sem uma estrutura delgada e delicada, sem suporte, mas ainda existia.
A dor sentida ali ultrapassava corpo,
e a imagem focada à sua frente não era aquele rio borrando-se em luzes ao vento e sim uma imagem solta, tornando-se caótica, abrupta, num misto formal de resgate e auto-criaçao a cada movimento.

A maravilha!
Soluçou. Era toda aquela água vazando-lhe o corpo.
Não foi seu corpo que alcançou as aguas, foram as aguas que mudaram seu curso, apenas para traze-lo de volta.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

"Tão alta que sou nos braços de meu irmão"

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Para enfrentar o monstro do ar,

Tenho meus lobos
e meus grandes cavalos brancos azuis.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

O menino da grande embarcação

Pronto, começou assim, quando tinha acabado de ler Os Covardes. Sentou-se pra ver o filme da capa amarela. Colocou os olhos e os pés em cada cena. Caiu no sofa e o filme tinha acabado de começar:
Eram poucos dias até o começo daquela vertigem da bebedeira. Entregou-se a mais outros goles durante 4 meses e então começou a recordar cada memória daquela moça querida.
Depois quis matá-la, mesmo que em sonhos.
E o fez.
Mas ele acreditava em fantasmas ou então foi obrigado a acreditar, pois ela cruzava seus caminhos pra onde quer que ele decidisse ir. Até mesmo nos sonhos.


Eu e ele tinhamos e ainda temos aquela estranha mania de juntar partes, guardar pedaços.
Pra mim, todo apoio, mesmo que material, não me deixa afogar naquilo que ainda não sei o que sou.
Pra ele, era uma tática de não deixar o mundo afogá-lo.
Ele juntava cada parte e encaixava. No começo do fim tinha uma embarcação completa, com vários compartimentos. Lembro-me de visitá-lo e ver aquele mundo de pessoas que passou a acompanhá-lo naquela aventura. Belos objetos.
Eu abri o máximo que pude os olhos, pra tentar absorver aquela beleza toda, mas foi assim que meus pés descolaram-se daquele chão de copos, brinquedos, instrumentos e roupas.

Fui desgrudada de lá, eu não era mais permitida ali. Talvez como todas aquelas pessoas lá dentro tivessem sido um dia, desgrudadas e proibidas a a partir de um ponto. Sobrando apenas uma imagem daquilo que tinhamos criado e por fim recheado. Eram de fato belos objetos.



Ontem li em algum lugar, não me lembro. Algo próximo de que seu barco havia se chocado com uma pequena casa, mais dura e muito mais tátil que todas aquelas coisas que formavam sua grande embarcação. E que por quase se afogar naquele desmanchar do navio mundo, foi parar dentro daquela casa, a unica coisa que podia salva-lo.



Agora posso visitá-lo.

Dois sóis inversos.
Dois sóis pretos pequenos num mundo amarelo.
Eram grandes. Grandes sóis inversos negros o mais fundo possível, num imenso campo amarelo, imenso jardim.
Ainda estou a olhar.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Maresias

E eu me apaixonei por um cara que teve a oportunidade de voltar no tempo e
no tempo dos tempos
enquanto cedia seu corpo ao mar

Enquanto há no corpo marcos do mar

sábado, 6 de fevereiro de 2010

"Pai! você pescou um peixe macaco!"
E eu me lembro até hoje da cara feliz que ele devolveu pra Tati.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Preenchendo a mão com o Maximo que conseguia, desceu as escadas entrou a primeira a direita, bateu o ossinho da bacia na mesa de jantar, ignornado a dor, abriu a porta dos fundos e enquanto suas pernas o guiavam, os olhos estarrecidos negavam-se a acreditar.

Foram 100 dias parados assim,

E foi quando ouviu estalos de quebra que conseguiu se lembrar do que trazia entre os dedos e a palma da mão.

Eu ainda te ouço, ainda ouço soluços e olhos sem amparo. O cheiro não sai do meu nariz, quem sabe do meu corpo ou então do teto. Eu consigo pisar ali mais muitas vezes, tudo naquele chão melado de nossas lembranças mais que táteis.