segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

O menino da grande embarcação

Pronto, começou assim, quando tinha acabado de ler Os Covardes. Sentou-se pra ver o filme da capa amarela. Colocou os olhos e os pés em cada cena. Caiu no sofa e o filme tinha acabado de começar:
Eram poucos dias até o começo daquela vertigem da bebedeira. Entregou-se a mais outros goles durante 4 meses e então começou a recordar cada memória daquela moça querida.
Depois quis matá-la, mesmo que em sonhos.
E o fez.
Mas ele acreditava em fantasmas ou então foi obrigado a acreditar, pois ela cruzava seus caminhos pra onde quer que ele decidisse ir. Até mesmo nos sonhos.


Eu e ele tinhamos e ainda temos aquela estranha mania de juntar partes, guardar pedaços.
Pra mim, todo apoio, mesmo que material, não me deixa afogar naquilo que ainda não sei o que sou.
Pra ele, era uma tática de não deixar o mundo afogá-lo.
Ele juntava cada parte e encaixava. No começo do fim tinha uma embarcação completa, com vários compartimentos. Lembro-me de visitá-lo e ver aquele mundo de pessoas que passou a acompanhá-lo naquela aventura. Belos objetos.
Eu abri o máximo que pude os olhos, pra tentar absorver aquela beleza toda, mas foi assim que meus pés descolaram-se daquele chão de copos, brinquedos, instrumentos e roupas.

Fui desgrudada de lá, eu não era mais permitida ali. Talvez como todas aquelas pessoas lá dentro tivessem sido um dia, desgrudadas e proibidas a a partir de um ponto. Sobrando apenas uma imagem daquilo que tinhamos criado e por fim recheado. Eram de fato belos objetos.



Ontem li em algum lugar, não me lembro. Algo próximo de que seu barco havia se chocado com uma pequena casa, mais dura e muito mais tátil que todas aquelas coisas que formavam sua grande embarcação. E que por quase se afogar naquele desmanchar do navio mundo, foi parar dentro daquela casa, a unica coisa que podia salva-lo.



Agora posso visitá-lo.

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