Daquele sonho de todos os gritos e uivos, dos quais eu tive muito medo por nao poder confiar naquelas reacoes, 3 anos depois eu sem seguir a intuicao constatei a verdade do que era certo e foi negado.
O que eu pensava vir como dor de corte veio em falta de ar. Espaco ocupado, como o peso que me seguia com a presenca do corpo a mais, que era meu. Nao importa o eu, principalmente agora.
terça-feira, 29 de março de 2011
segunda-feira, 28 de março de 2011
...
Alguns minutos depois, tentando buscar a respiracao daquilo que imaginava coracao, o vi sair andando torto. Pela memoria da mao, senti que moera um dos seus ossos do peito.
Entao,
o andar torto ali era meu tambem, minhas pernas ainda nao doem, meus bracos continuam rasgados, e eu so vou entender aquela dor quando sentir o quanto de sangue tenho perdido nestes tantos anos permanecendo aqui.
Postado por
T▲S
às
segunda-feira, março 28, 2011
0
comentários
sexta-feira, 25 de março de 2011
Quanto mais eu o agarrava mais ele rasgava a pele do meu corpo. O nao pertencimento passou a tornar-se tao bruto que agora via a incompatibilidade no sustentar. com as patas traseiras ele rasgou minha perna. E eu ainda tentei segura-lo um pouco mais, pensando talvez reservar aquilo que antes existiu. Nao sentia dor nenhuma quanto aquilo, meu corpo tinha um peso tao exorbitante que eu passei a notar o quanto a forca disso esmagava seu peito. Ele enfiava mais e mais seus dentes no meu braco. E eu nao sentia dor nenhuma, ate que o soltei.
Meu branco tornou-se ofuscado por azul, e eu passei a ouvir sua voz a muito tempo de distancia.
Eu copiei aquilo e tentei decifra-lo, ate que todo meu sangue escorra.
Postado por
T▲S
às
sexta-feira, março 25, 2011
0
comentários
sábado, 19 de março de 2011
Como no cinema da Morte,
agora encontrei um dos pelos perdido.
O que na realidade ocorre e a reconstituicao criada, como em fosseis, de uma parte da pele/terra que ali nao cabe mais.
O olho do tamnanho do ceu, nao vou mentir que me impressionou aqueles olhos certeiros e fala distinta.
Por querer me afastar por conta do medo, fui chegando a cada ano mais perto dele, e ele me trouxe pro mundo. Nao sei se terei alguma forma de dizer gracas, mas o que tenho no fim e' a dadiva da dor que me trouxe onde estou: Aonde sempre desejei estar.
Apesar de todo movimento eu consigo registrar algumas vibracoes nas entranhas.
Obrigada
Postado por
T▲S
às
sábado, março 19, 2011
0
comentários
sexta-feira, 11 de março de 2011
sexta-feira, 4 de março de 2011
"Um homem que dorme, mantem em circulo em torno de si o fio das horas, a ordem dos anos e dos mundos"
Postado por
T▲S
às
sexta-feira, março 04, 2011
0
comentários
quinta-feira, 3 de março de 2011
Eu não tenho a vitalidade da morte
Ela:
Nasci só, ate o momento em que o encontrei. Ele me encontrou. Eu também.
A aquela altura, eu não poderia nunca distinguir o que seria aproximação, nem de perto.
Meu primeiro espasmo deu-se quando fui lançado nas costas de um cavalo, que chicoteado saiu galopando muito destinado a suas próprias ambições. Aquilo foi desejo do corpo. Creio eu que quando desaprendemos a ouvi-lo ele se revolta e sucumbe as nossas vontades, minha vontade.
Era um novo palco, um completo segundo nascimento seguido pela memória da vida anterior, aquilo que me sustentava toda a espinha.
Em pouco tempo percebi que o que me mantinha em pe pelo excesso me puxava para baixo, e ou eu largava aquilo ou sofria a nova viagem inteira. O que eu apenas não sabia era que mesmo evitando o sofrimento continuaria. Mesmo sacando toda a bagagem vinda por engano, fruto do desejo do corpo, eu a carregaria em sombra.
Aprendi a assobiar.
Ele:
A pouco tempo ela me escreveu; não acrescentava muito as perguntas que lhe havia feito, e em uma outra conversa soltou sobre possuir, seu processo doentio. E então eu entendi tudo. Daquilo, daquela parte, só dali. E então, hoje passei a respeitar seu modus operandi. 'A distancia estava resignada nossa relação mesmo que eu mudasse de idéia depois.
-
Quando ouvi minha voz, ecoada no som da garganta dela, estremeci ao ponto do medo. Uma vez, em um dos ensaios da nova banda, o novo técnico-filosofo aproximou-se dizendo sobre o encanto de se ouvir a propia voz. Mais atordoante que ver-se a si propio era dobrar sua propia vibração, ouvir-se, poder ocorrer junto a ela.
Como uma gravação, mantínhamos nosso mundo; tudo que eu encontrava também lhe era útil, tudo que dizia lhe era interessante, tudo que buscava lhe era também pertinente. Eu, em minha alma não oriental vi uma espécie de ironia do amor. Passei a trazer em presença algo que sempre chamei. Referencia viva me tornei ate ser totalmente sucumbido, enquanto ouvia minhas próprias palavras, frases, expressões, gestos e sonhos xerocados e organizados por um outro corpo. Ela era melhor na persuasão, eu apenas vivia a minha. Percebi que vivia. Neste ponto eu a agradeci, eternamente. Ela me agradeceu por poder me ouvir cantar.
Ela e Ele:
Vivia porque me vi em um reflexo, me vi naqueles tortos resquícios dúbios visuais. Catava cada um deles e montava uma imagem banalmente cubista de mim mesma. Mas me perdia, pois sentia a presença do assalto novamente, daqueles intrusos agora sem mascaras que apareciam em um destes cacos e arrancavam o que tínhamos outrora "de valor" naquela casa, sem podermos nos defender, já que com armas em mãos eles detinham o poder.
Um inconveniente da metáfora e eu a transformei em uma assaltante, não fui capaz de ver a admiração daquilo tudo, via um acidental falta de respeito naquela atitude, desde que sua voz se erguia adiante para interpretar a minha que estava nascendo.
Os dois:
O cano da torneira perdia vazão, a cada rotatória percebia que escorria menos água, talvez pela sujeira acumulada das enchentes; o lodo, o lixo e todos os animais em putrefação que a água trazia de volta pro homem.
Talvez eu tivesse me banhado naquelas águas turvas com ela, talvez saísse mais limpa, mais cega. Parece que toda vez que vejo meu grau aumentou, e mesmo trocando as lentes a poucos meses, parece que perdi visão de anos. Envelheci dos olhos aquilo que ficou suspenso, tudo porque não me banhei naquela água de prata.
Naquela época eu me lembro dos uivos incessantes que eram regurgitados em minhas orelhas durante o que seriam resquícios das noites no Alaska. Eu me lembro da perda e da perda seguida pela perda, enfim, o que me era excesso mesmo sendo pura constatação.
Eu havia perdido a língua dos cães, havia perdido a língua dos homens, já que ao lado de ambos não soube reagir a perda. Ao tentar salvar ambas, ambas as perdi. Agora me sou completamente dependente da língua do corpo, da língua nua da vibração do corpo, uma língua que eu nunca tive conhecimento.
Com as palavras em outra língua não minha, minha poesia se tornou leve, como o primeiro cavalo que vi rabiscado no céu antes de galopar.
Percebi que ou eu me ajeito com o que penso enxergar do mundo, ou morro de saudade, daquilo que moldei como meu, das minhas possessões que outrora sustentavam meu mundo, mesmo que já o tenha perdido, na busca do meu, busca mesma que a dela, que a dele, só que de modos distintos.
Ou eu me ajeito ou mato a todos, e pior que assaltante seria se fossem assassinos, e eu não estivesse mais aqui. E ja nao estou.
Postado por
T▲S
às
quinta-feira, março 03, 2011
0
comentários


