sábado, 30 de julho de 2011

Enquanto flutua preso no vidro que sustenta as nuvens,
me cubro os objetos com casca de microrganismos, como layout programado simbólicamente. Gosta-se do engano, até a percepção do que foi suprimido como base. Flutua-se.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Eu teria um trenó.
Essa paisagem, recorrente. A nova vibração é a do odor, velho, de sangue a muito exposto ao nada. Rubro ao branco desperdiçado. Localizados, abaixo da visão dos olhos que engasgaram com as montanhas, estão os corpos: réplicas mutiladas que uma vez tentaram sobreviver.



Eu não as deixei, não deixei que fossem, apenas as seduzi até ali.
Ouço então o silêncio, não dos maxilares extraviados, mas do contato da minha própria carne contra o vento.

domingo, 26 de junho de 2011

Ao que estive longe do descritivo,
Tento ao máximo sentir.
Sinto a mim como quem de fora, mas não o suficiente.


Sigo tentando

domingo, 19 de junho de 2011

sábado, 18 de junho de 2011

Olhando o orgao perfurado no chao recolheu-o novamente entre os dentes, apertou-o o maximo que pode ate sentir os dentes encostarem-se por entre a carne. Levantou-se e seguiu ate o ponto mais alto da ilha, um ponto de pedra tambem. Reparou em uma pequena ordenacao ascendente de pedras, empilhadas aos deuses.

Deixou seu orgao ali no topo da Apacheta e desapareceu daquele lugar

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Abriu a boca exibindo ao corpo toda a potencialidade de sua mandibula.
Havia dentes e dentes, sujos e desgastados de tanto apertarem-se um contra o outro. Foi quando dali daquele trilho branco desviou-se o tal do orgao que antes em meio aquela pressao, caiu ao chao. Assim como os olhos que o seguiram no movimento.

Vai saber daltura daqual largou aquela parte de si.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Criou uma ilha ao seu redor pela qual foi aos poucos submergido. Os ossos finos das patas relaxaram-se ao ceder seu peso a terra. Virou pedra. Aquelas primeiras das quais se despediu antes de ir embora dali e agora aquelas em que seu ralo peso se apoia.
Em pouco tempo o bolor das pedras em contato com a agua alcancaria suas patas. Vitima facil pra si mesmo, um ser mutilado, solto orgaos mutilados afora, soltas palavras mutiladas.

Pensava ter se esvaido dos internos, mas ainda doia o estomago la dentro e mais dolorido ainda era o orgao que trazia entre os dentes.

domingo, 12 de junho de 2011

Vanishing

as a thought,
as my body, as my running blood, as a song,
becoming nothing more.

Then I start living in these grounds, this land.

sábado, 11 de junho de 2011

Abrigo de carne. Todas as aves-pavoes, todos os caes e motores. Todas as imgems que passaram pela mente. Aquelas asas todas, preenchendo e ativando o espaco.
Preenchida a carne de um antigo sonho de molde descontextualizado. Ali, naquela ocasiao, eu nao cabia naquele lugar.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

E entao
afundou meus olhos da pele dentro do ouvido.
Recitou algumas palavras distantes do meu dialeto local, somou alguns gestos magicos precisos enquanto andava ao meu redor,
e com o indicador esquerdo pressionou meu quarto chackra.

como na hora da morte, um canal foi aberto, e um turbilhao de imagens passou a chegar e dominar meu campo visual imagetico, ininterruptamente. E ao mesmo tempo em que nao, que eu nao as reconhecia como imagens da minha vida, tais imagens eram todas minhas ja que sairam de um campo e cruzaram o horizonte do meu inconsciente vindo chegar ate mim.

domingo, 5 de junho de 2011

Me criou ao ouvido tao clara quanto puramente:
Voce quer sobreviver?

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Ensaiando os olhos

Minha morte dos olhos foi alcancada no duplo.
Que eu nao teria acesso maior ao extracampo, desde que nao parasse de esperar dos olhos realidades palpaveis a qualquer outro orgao.
Mesmo assumindo aquilo que via sem os frames.

Ambos ao final, perdidos.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

As Pernas das arvores

Igual a todos com quem cruzo, motivo do passo. Como quando caminho e a arvore segue em direcao oposta, eu sou a arvore. E sigo, para que outros se movam na direcao contraria a minha, compondo uma paisagem.
Foi como o carro alegorico que vi hoje na Paulista. Um animal feroz e corajoso sendo guiado por um jovem robusto; um senhor semi-sabio cinza com sua carruagem; e uma languida linda mulher com seu filho entre os bracos. Seguiam os tres juntos, em marcha.

Entao os dentes

E' como encontrar paredes podres por detras daquele seu movel mais especial.
Encontrei uma trilha por detras dos meus dentes, eles tornaram o material podre pela total corrosao.
Nao resta outra historia que nao a da extracao do material perdido. Nao ha retorno senao a expansao, a existencia e permanencia do orgao comissao vai passar a ser pela falta, pela completa ausencia do corpo.

Arranco entao os dentes

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Campina dos orgulhosos

Eu havia perdido muitos pesos, desdaquele dia do show da minha banda.
Antes o peso variava de acordo com aquilo que eu trazia a mente, desdo acordar, agora eu já nao tinha nada pra acordar com. Eu havia perdido muitos pesos. Na verdade havia os deixado ir, liberei o excedente que queimava minhas narinas a cada manha e ditava meus passos, minhas curvatura das costas. Foi a dor mais profunda que senti, a de ajustar as pecas da coluna, organiza-las para que suportem o meu novo pesar.

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Ele chegou e me deu toda a coragem de ser um outro que nao o eu antes. Eu me convenci nisso, empilhei tudo de uma nova maneira. Mas no meio do caminho, neste fim de semana quando conheci o homem da rosa dos ventos no nome, senti vontade de queimar tudo o que eu havia organizado, aquilo que construí como realidade. O que seria "realidade"? me perguntava os objetos do homem da rosa.
Queimei tudo, pra que nao fizessem relicario destas minhas coisas depois,
mas ja era tarde demais, quando acordei havia em minha porta uma enorme sacola com todas as coisas rematerializadas, atravez de icones. Toda esta pessoa que criei ja havia sido resgatada, mesmo que eu a apague da minha vida, Sim! Se eu me desaparecer, ela ainda vai estar ali. Mesmo durante as manhas, onde eu vou abrir os olhos a realidade, ela vai estar la.

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Em algum momento o molde da realidade irreal foi ativado (eu sabia que deveria evitar, mas creio no fato daquilo que e inerente ao ser humano: o de criar. Mas eu sempre o ultrapasso pela inerencia do pequeno passo dificil de se aceitar por mim. Nunca medi o comprimento das pernas.
O que me irritavam eram as bordas, as estreitezas e limites. Limite entre o focado e borrado.

Eu tirei os oculos
Percebi minhas letras minusculas no papel,
colados na parede em alguma ordem e distancia. Entao ali me veio a realidade, me veio o coracao, aquela era a parte do perceber a diferenca entre o sonhar e estar acordado.
Me veio o coracao, a pergunta do lobo Azul, que um dia interrei em uma caverna a alguns anos atras: - Entao, o que e o Amor?

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Em quatro dias percebi o som da barriga, o som que minha mae dizia que eu notava quando meu pai estava voltando de moto para casa, mesmo dentro do ventre dela eu ouvia. O som que me corroe.
O quanto estas existências, faltas reais me tecem e me corroem. E que eu deveria estar a postos para evitar que minha pele perfurase, evitar que a pele das minhas paredes e orgaos fossem corroidas, evitar para sempre ter tais areas perdidas em tato, em criacao a partir do real real, evitar algo como o que ocorreu aos solos da Terra da Historia sem fim?

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E entao fiquei Louca,
Aquela altura nao havia estudado muito sobre os limites da realidade, sobre os limites da sanidade, eu passei a acreditar que na realidade nao existia a sanidade.
Em décimos de segundo, fiquei uma eternidade sem poder chegar a superfície. Eu havia saltado de la da presenca do cume, onde havia conseguido chegar com tanta dor.
Eu AMO VOCE! (soltei no desespero)
ja nao tinha mais ar nos pulmoes, essa era a realidade. Alguem havia chegado ate la, havia tentado evitar que eu jogasse meu corpo dali, mas eu nao quis ouvir, nao queria ser ajudada, queria ter forcas proprias pra me deter, queria ter alem da leveza que tinha encontrado, o suporte em tronco, com raiz e tudo. mas eu nao tinha nada disso, eu nao havia construido nada proximo. Eu nao era. Ou o contrario, eu sou tudo o que nao fui.

E entao, perdida a parede do estomago, embebido o corpo todo em agua, fui lancada para fora do mar, pelas aguas de uma baleia, para bem alto.
Eu vi o mundo inteiro dali, vi todos os mares e mapas da minha criacao, eles eram reais o suficientes pra eu acreditar que, eles eram o que eu teria de suporte, aquilo tudo que criei era o que me sustentava ate entao, e que eu deveria caminhar sobre aqueles lugares para talvez me salvar.
Mas nao foi assim,
Desde que lancada aquela velocidade, nao consigo mais descer, vejo tudo aqui do alto sem previsao, e o maximo que tenho feito e' reproduzir esta vista que estou tendo diante de mim, esta aura leve de 20 atmosferas sobre os ossos, essa insensatez do toque, da fala so.
So tenho direito a vibrações.

terça-feira, 17 de maio de 2011

terça-feira, 10 de maio de 2011

Relato da minha ultima covardia

Estes dias atras, com um outro eu levantei um dos mortos, em sua perfeicao, em seu mais alvo frescor, tao trucidado que nem se assemelha mais ao corpo referencia; exceto pela voz mastigada e o cheiro de flores que me encontram durante o caminho.

terça-feira, 3 de maio de 2011

sexta-feira, 29 de abril de 2011

meu corpo e' torto, livre das amarras proprias do meu ser criador, ser todo Eu. Eu te recrio,
filho de uma imagem de espelhos. No fim vejo a mim mesma. Parece ser o unico lugar ao qual consigo enxergar, por enquanto, pois me nego a qualquer rotina da morte, assumo qualquer rotina que ela me jogue, eu a engulo, mastigo ate sair o gosto da erva, depois talvez cuspa o corpo fora, ou entao o deixo assim, do lado da bochecha, formar aos olhos de outros doenca de quem nao conhece minha tradicao andina.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Como danca partidaria do insensato, sermao de frases incongruentes, risos estourados.
Plagio a voz que me fala a sinceridade, e me escondo nas mesmas falas. Ao melhor, me mostro com elas, pra ela, com as palavras dela, para talvez atingi-la em cheio. Prefiro ouvi-la, assim como quem so observa o movimento do vento, seus indices construtivos.

Eu ja nao te olho como quem olha de susto e entra, como quando vi o animal que parou diante da minha porta. A deixo meio assim, abro a porta aos poucos para ver se ainda esta. Se nao, vou buscar com o olho passos que tenha dado.





Passando a fase inconsequente, dos versos entrecruzados e das risadas estouradas pela imagem criada e saltada ao corpo. Assalto ao corpo, misto de memoria do que nao existiu, aguarrando a materialidade do ja ocorrido, e que alem quer ser.
Como as patas dos cavalos, nao deixa-las que me massacrarem.
Depois de perder grande parte dos ossos, eu subi por elas, cheguei ao topo das espaldas. E' dali que surgem as ondas, um mar todo formado com aquele movimento: se olho pra baixo vejo uma altura que nao me sustenta mais, nao me da mais medo; se olho pra cima nao vejo nada por causa do sol; Se olho pra frente vejo a cabeca dos cavalos, todos correndo, e nas orelhas tatuagens de raios, pra eu nunca me esquecer de evitar trazer comigo os espolios dos mortos em batalha.

Rimbaud paralelo ascendente

INFÂNCIA

V

"Que me aluguem enfim este túmulo caiado, com linhas de cimento em relevo
- bem fundo na terra. Cotovelos na mesa, a lâmpada ilumina muito bem esses jornais que releio de idiota, esses livros sem interesse.
- A uma distância enorme acima da minha sala subterrânea, casas se enraízam, brumas se reúnem. A lama é vermelha ou negra. Cidade monstro, noite sem fim! Menos alto, os esgotos. Dos lados, apenas espessura do globo. Talvez abismos de azul, poços de fogo. São talvez nestes níveis que luas e cometas, fábulas e mares, se encontrem. Nas horas amargas, imagino bolas de safira, de metal. Eu sou o mestre do silêncio. Por que uma aparência de respiradouro desbotaria num canto da abóbada?"

quarta-feira, 27 de abril de 2011

guion visible para Marguerite Duras:

Sonido del Mar. Constante.
Vilas inteiras soterradas pelo vento do olhar. Ali no momento. Nao ha pessoas, so lugares.
Depois entraremos com as pessoas, mas sem o cenario, so areia.
Comece comentando sobre o rei daquele pais. Sobre sua queda, sua ultima frase imaginada. Uma analogia semantica prudente. Um romance inalcancado que vai servir de redencao de imagem ao povo.
Agora ele e coroado, por tudo aquilo que nunca chegou a ser. Eu vos declaro: imagem e corpo, preenchidos por varios olhos, exceto por aqueles dois ali abertos.
Naquela sala em que nos nos recollhiamos, naquelas mesas, tudo soterrado pela forca das aguas, forca de areia e tempo. Enrigecidos e firmes meus membros assim, como o proprio movimento do corpo que olha pra dentro do comodo construido por Patti para Mapplethorpe.

terça-feira, 26 de abril de 2011

"Like playing in the sea, in the sea of possibility, the possibility"

00:00

Te busquei. Eu nao te julgo. So a mim causara a dor de corte, te emprevi antes de te matar aos sonhos, alias usei destas aguas pra te afogar. Eu peguei nos remos e fiz o corte na brusquedade. Em ambos. Em terceiros, em quartos de quintos.
Fez sonar ao meu ouvido a dor de uivos. Quem nunca havia me dito, agora me deixava ouvir, e mesmo a kilometros e poucos metros de centimetros de distancia eu torci a coluna e esgarcei o ouvido. Seria mais facil te ouvir daqui, mas dai entrou a morte novamente, desta vez eu era assassinada.
Agora sem faca, sem pele, rouca. Eu tenho o deserto todo pra atravessar.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Rimbaud paralelo

INFÂNCIA

III

"Nos bosques tem um pássaro, você pára e cora com seu coro. Tem um relógio que não toca nunca. Tem uma brecha no gelo com um ninho de bichos brancos. Tem uma catedral que sobe e um lago que desce. Tem uma pequena carruagem abandonada na moita, ou que passa correndo, decorada. Tem uma trupe em trajes de comédia, espiada pela trilha da floresta. E então, quando você tem fome e sede, tem sempre alguém que te manda passear."

domingo, 24 de abril de 2011

coçam a boca,
a imagem turva passa a se definir, eu insisto em tirar os oculos,
mas a visao vai se revelando.
A camera é tremula, os caminhos sao vagos e tremulos. Tudo vai desmoronando. Eu evitei essa imagem ate Agora danco no chao de ondas que me levam e trazem pra estes lugares conhecidos. negados.

Mesmo em casa sinto movimentos de ondas no corpo, nada tranquilo, ja que aquela terra me ergueu aqui.

terça-feira, 19 de abril de 2011

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Talvez o sono mais pesados de todos, Quando o corpo perde o parametro da forca que exercia. O sonho da grande casa Mattaclarkiana talvez solucionasse isso.
Talvez, eu ainda nao sei o oque decidir,
Mas desde que perdi algo em outro pais e senti o corpo pluma, passei a tentar enxergar o rastro do pe, depois a pegada. Agora falta parar de olhar so pra cima e ver ao mesmo tempo pra frente e pra baixo. Desde que meus oculos me possibilitam ver o que vai ao fundo.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Ultima vez que dormiu e esperou a senha. Na verdade a senha viria a partir da reforma dos proprios pensamentos, tudo havia se esgotado ali dentro. Com a sorte do mestre do modesto acaso espero reverter minha visao simploria e desgastante. Algo que choacoalhe a caixa, a coloque de ponta cabeca, so.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

O problema era voltarse louco.
Nao sabia se virava o rosto aqueles dentes compridos.

Derrepente, o sorriso o captou. Ele nao entendia, mas sabia que alguma parte de seu corpo fora daquela realidade era capaz de ver o brilho ali naquelas formas.

Voltouse louco que seja de outra forma, ali estava seu destino.

terça-feira, 12 de abril de 2011

"mírame pronto
antes que en un descuido
me vuelva otro"

segunda-feira, 4 de abril de 2011

terça-feira, 29 de março de 2011

Daquele sonho de todos os gritos e uivos, dos quais eu tive muito medo por nao poder confiar naquelas reacoes, 3 anos depois eu sem seguir a intuicao constatei a verdade do que era certo e foi negado.
O que eu pensava vir como dor de corte veio em falta de ar. Espaco ocupado, como o peso que me seguia com a presenca do corpo a mais, que era meu. Nao importa o eu, principalmente agora.

segunda-feira, 28 de março de 2011

...

Alguns minutos depois, tentando buscar a respiracao daquilo que imaginava coracao, o vi sair andando torto. Pela memoria da mao, senti que moera um dos seus ossos do peito.
Entao,
o andar torto ali era meu tambem, minhas pernas ainda nao doem, meus bracos continuam rasgados, e eu so vou entender aquela dor quando sentir o quanto de sangue tenho perdido nestes tantos anos permanecendo aqui.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Quanto mais eu o agarrava mais ele rasgava a pele do meu corpo. O nao pertencimento passou a tornar-se tao bruto que agora via a incompatibilidade no sustentar. com as patas traseiras ele rasgou minha perna. E eu ainda tentei segura-lo um pouco mais, pensando talvez reservar aquilo que antes existiu. Nao sentia dor nenhuma quanto aquilo, meu corpo tinha um peso tao exorbitante que eu passei a notar o quanto a forca disso esmagava seu peito. Ele enfiava mais e mais seus dentes no meu braco. E eu nao sentia dor nenhuma, ate que o soltei.

Meu branco tornou-se ofuscado por azul, e eu passei a ouvir sua voz a muito tempo de distancia.
Eu copiei aquilo e tentei decifra-lo, ate que todo meu sangue escorra.

sábado, 19 de março de 2011

Como no cinema da Morte,
agora encontrei um dos pelos perdido.
O que na realidade ocorre e a reconstituicao criada, como em fosseis, de uma parte da pele/terra que ali nao cabe mais.
O olho do tamnanho do ceu, nao vou mentir que me impressionou aqueles olhos certeiros e fala distinta.
Por querer me afastar por conta do medo, fui chegando a cada ano mais perto dele, e ele me trouxe pro mundo. Nao sei se terei alguma forma de dizer gracas, mas o que tenho no fim e' a dadiva da dor que me trouxe onde estou: Aonde sempre desejei estar.
Apesar de todo movimento eu consigo registrar algumas vibracoes nas entranhas.


Obrigada

sexta-feira, 11 de março de 2011

sexta-feira, 4 de março de 2011

"Um homem que dorme, mantem em circulo em torno de si o fio das horas, a ordem dos anos e dos mundos"

quinta-feira, 3 de março de 2011

Eu não tenho a vitalidade da morte

Ela:
Nasci só, ate o momento em que o encontrei. Ele me encontrou. Eu também.
A aquela altura, eu não poderia nunca distinguir o que seria aproximação, nem de perto.
Meu primeiro espasmo deu-se quando fui lançado nas costas de um cavalo, que chicoteado saiu galopando muito destinado a suas próprias ambições. Aquilo foi desejo do corpo. Creio eu que quando desaprendemos a ouvi-lo ele se revolta e sucumbe as nossas vontades, minha vontade.

Era um novo palco, um completo segundo nascimento seguido pela memória da vida anterior, aquilo que me sustentava toda a espinha.
Em pouco tempo percebi que o que me mantinha em pe pelo excesso me puxava para baixo, e ou eu largava aquilo ou sofria a nova viagem inteira. O que eu apenas não sabia era que mesmo evitando o sofrimento continuaria. Mesmo sacando toda a bagagem vinda por engano, fruto do desejo do corpo, eu a carregaria em sombra.
Aprendi a assobiar.

Ele:
A pouco tempo ela me escreveu; não acrescentava muito as perguntas que lhe havia feito, e em uma outra conversa soltou sobre possuir, seu processo doentio. E então eu entendi tudo. Daquilo, daquela parte, só dali. E então, hoje passei a respeitar seu modus operandi. 'A distancia estava resignada nossa relação mesmo que eu mudasse de idéia depois.

-
Quando ouvi minha voz, ecoada no som da garganta dela, estremeci ao ponto do medo. Uma vez, em um dos ensaios da nova banda, o novo técnico-filosofo aproximou-se dizendo sobre o encanto de se ouvir a propia voz. Mais atordoante que ver-se a si propio era dobrar sua propia vibração, ouvir-se, poder ocorrer junto a ela.

Como uma gravação, mantínhamos nosso mundo; tudo que eu encontrava também lhe era útil, tudo que dizia lhe era interessante, tudo que buscava lhe era também pertinente. Eu, em minha alma não oriental vi uma espécie de ironia do amor. Passei a trazer em presença algo que sempre chamei. Referencia viva me tornei ate ser totalmente sucumbido, enquanto ouvia minhas próprias palavras, frases, expressões, gestos e sonhos xerocados e organizados por um outro corpo. Ela era melhor na persuasão, eu apenas vivia a minha. Percebi que vivia. Neste ponto eu a agradeci, eternamente. Ela me agradeceu por poder me ouvir cantar.


Ela e Ele:
Vivia porque me vi em um reflexo, me vi naqueles tortos resquícios dúbios visuais. Catava cada um deles e montava uma imagem banalmente cubista de mim mesma. Mas me perdia, pois sentia a presença do assalto novamente, daqueles intrusos agora sem mascaras que apareciam em um destes cacos e arrancavam o que tínhamos outrora "de valor" naquela casa, sem podermos nos defender, já que com armas em mãos eles detinham o poder.

Um inconveniente da metáfora e eu a transformei em uma assaltante, não fui capaz de ver a admiração daquilo tudo, via um acidental falta de respeito naquela atitude, desde que sua voz se erguia adiante para interpretar a minha que estava nascendo.



Os dois:
O cano da torneira perdia vazão, a cada rotatória percebia que escorria menos água, talvez pela sujeira acumulada das enchentes; o lodo, o lixo e todos os animais em putrefação que a água trazia de volta pro homem.
Talvez eu tivesse me banhado naquelas águas turvas com ela, talvez saísse mais limpa, mais cega. Parece que toda vez que vejo meu grau aumentou, e mesmo trocando as lentes a poucos meses, parece que perdi visão de anos. Envelheci dos olhos aquilo que ficou suspenso, tudo porque não me banhei naquela água de prata.
Naquela época eu me lembro dos uivos incessantes que eram regurgitados em minhas orelhas durante o que seriam resquícios das noites no Alaska. Eu me lembro da perda e da perda seguida pela perda, enfim, o que me era excesso mesmo sendo pura constatação.
Eu havia perdido a língua dos cães, havia perdido a língua dos homens, já que ao lado de ambos não soube reagir a perda. Ao tentar salvar ambas, ambas as perdi. Agora me sou completamente dependente da língua do corpo, da língua nua da vibração do corpo, uma língua que eu nunca tive conhecimento.
Com as palavras em outra língua não minha, minha poesia se tornou leve, como o primeiro cavalo que vi rabiscado no céu antes de galopar.
Percebi que ou eu me ajeito com o que penso enxergar do mundo, ou morro de saudade, daquilo que moldei como meu, das minhas possessões que outrora sustentavam meu mundo, mesmo que já o tenha perdido, na busca do meu, busca mesma que a dela, que a dele, só que de modos distintos.

Ou eu me ajeito ou mato a todos, e pior que assaltante seria se fossem assassinos, e eu não estivesse mais aqui. E ja nao estou.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Como recuerdo de un otro pais, yo he traido juguetes para jugar aca, en esto pais mio y en todos los otros que voy a conocer,
Incluso para cuando yo vuelva al Sur - ahora que tengo un Sur.
Es como tener una hoja blanca adelante de los ojos; eres el senor, justo en el momento en que pasa a traer con los ojos por detras de los ojos lo que antes fuera sonido, la vibracion que sostiene a vos.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Todo continuo.
Vi e ouvi uma vez sobre a camera que se esta a mirar algo, congela todo o que esta ao redor deste ate voltar ao direcionamento direto do mesmo algo. Ele, o infinito se cria ali, naquela falta direcionada.

Foi aqui, hoje que perdi a loucura do cinema.
Eu vi que a magia do direcionamento era lilas, como os morros e serras que agora enxergo por conta das cordilheiras.
Vi que o fato de perder aos poucos a lucidez dos olhos e tao prematuro quanto o fato de entender aos poucos que nao enxergo o que ali esta. E que sabendo disso e da pura invencao, chego a alguma sorte de verdade, que seja esta mentira, ate extrair daquilo que vejo algo que nao esta ali quando olho.

Eu ganhei ali a magia do cinema,
a chance de tentar organizar um extra-campo todo, continuo. Mesmo que ele continue seguindo, Independente de mim. E isto e a melhor parte.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Um dedo enterrado. Aquele que aponta.
Eu enterrei milhares de animais debaxo do rabo de lobo, daquele que eu tinha no fundo de casa, o coqueiro. Depois tinha todo o caminho de volta pelo corredor e porta do fundo. Longa distancia, suficiente pra sentir minhas pernas e costas reclamarem.
Eu nunca olhava pra traz, sempre voltava ali esperando a novidade.
Nao que um dia deixei de lembrar os pequenos corpos cuidadosamente sepultados, é que ali se apresentava seara tao distinta em seus focos que o rabo passou a se sustentar daquilo tudo. Tudo junto formava o corpo. Ou pelo menos uma camada dele.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Nao era o mesmo. Nada mais seria. desde que as placas e direções começaram a torcer o olho da memória, meu coração se postou adiante.
Já havia caminhado aquelas rotas, aqueles muros e construções visitaram outrora minhas permissões. E mesmo assim eu sentia medo.
Percebi depois que o que movia esse incrível sentimento era a possibilidade de encontrar as coisas longe ou totalmente distintas daquilo que havia deixado antes de partir.

Agora estou. a dois milímetros daquilo que eu era antes.
talvez um pouco mais distante.

domingo, 30 de janeiro de 2011

A emoção vinha pelo reencontro e antes, vinha pelo medo que sentia daquilo que não seria o mesmo, já que eu perdi parte de mim deixando este e um outro país de Ulisses.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Passou outra vez a imagem de um grande Leao,
Desta vez eu percebi o que antes foi dito em palavras.
Mas algumas coisas tem seus efeitos exatos no momento em que sao percebidas em meio ao palacio de brinquedos.

Eu já nao tinha mais poder sobre o mundo das palavras

Mas ele nao perdeu nunca seu grande coracao

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Terras de cavalos

Enquanto subia aquelas colunas de dinossauros, olhava carinhosamente cada detalhe daquelas peles. Como um recuerdo dos brinquedos da infancia.
Agora tudo ali tomava seu tamanho original, o tamanho do corpo infantil.
Ao pico do que seria o ultimo-alto osso da coluna de um daqueles grandes animais, viu um Puma. Ele estava deitado, saludava aos passageiros do onibus e lhes dava as boas vindas. Ao seu redor viase tudo verde, num grande contraste com o céu azul limpo dos altos e o pelo do felino.
Quando fez-se uma curva, uma raposa parou seu ultimo movimento, observando a todos passarem por suas também terras vermelhas.

Ficou ali, imovel de corpo enquanto passavamos


A partir daí passamos a descer por dentro da montanha da Puma. Lógico, somente apos o concentimento da mesma.
E da sequidao fomos para o mundo das nuvens que tocavam o chao. Tudo se tornou escuro e frio, o vidro comecou a tornarse embassado, Ja nao viamos mais nada, apenas ouviamos os trotes e relinchos, cada vez mais perto.
Estavamos enfim em Terras de cavalos

E na manha seguinte veriamos Baleias e peixes cruzando montanhas e penhascos, cultivados no que nunca deixou de ser, um Mar. É era dali que nasciam os cavalos.
Mas fortes e antigos que nós mesmos, mais inteiricos por nao só pertecerem a natureza, mas também a mente humana.



Eu moro ali e nunca mais

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011