Como danca partidaria do insensato, sermao de frases incongruentes, risos estourados.
Plagio a voz que me fala a sinceridade, e me escondo nas mesmas falas. Ao melhor, me mostro com elas, pra ela, com as palavras dela, para talvez atingi-la em cheio. Prefiro ouvi-la, assim como quem so observa o movimento do vento, seus indices construtivos.
Eu ja nao te olho como quem olha de susto e entra, como quando vi o animal que parou diante da minha porta. A deixo meio assim, abro a porta aos poucos para ver se ainda esta. Se nao, vou buscar com o olho passos que tenha dado.
Passando a fase inconsequente, dos versos entrecruzados e das risadas estouradas pela imagem criada e saltada ao corpo. Assalto ao corpo, misto de memoria do que nao existiu, aguarrando a materialidade do ja ocorrido, e que alem quer ser.
Como as patas dos cavalos, nao deixa-las que me massacrarem.
Depois de perder grande parte dos ossos, eu subi por elas, cheguei ao topo das espaldas. E' dali que surgem as ondas, um mar todo formado com aquele movimento: se olho pra baixo vejo uma altura que nao me sustenta mais, nao me da mais medo; se olho pra cima nao vejo nada por causa do sol; Se olho pra frente vejo a cabeca dos cavalos, todos correndo, e nas orelhas tatuagens de raios, pra eu nunca me esquecer de evitar trazer comigo os espolios dos mortos em batalha.
quinta-feira, 28 de abril de 2011
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