Depois de um tempo comecei a notar o defeitos do cavalo que me carregava. Ele tinha um dos olhos preguiçosos e um dos dentes faltantes, bem na frente, por onde ele conseguia assobiar. Ele, as vezes me deixava irritada e daí eu podia entender que eu também pra ele devia ter meus defeitos, talvez não os que eu reparasse mas os que ele notava do jeito dele.
Ele tinha pernas largas e bastavantes e cascos bem duros, mais que meus pés que começavam a esboçar uma camada mais forte de casco este ano.
Depois, ele relinchava muito, e outros animais o respondia com muito mais freqüência do que os homens que eu conversava. Me divertia com esse encantamento. Também tinha vontade de gritar por ele. Gritar pra moscas que pousavam em suas feridas. Pros mosquitos que rodeavam sua bunda e depois paravam em seus olhos.
Até que um dia, quando encontramos a primeira praia de todas, eu o libertei. Me senti culpado e me despi daquilo que me fazia imaginar ser o dono dele, o dono de qualquer coisa que me trouxesse vida.
Passei a caminhar sozinho, mas não por muito tempo pois apareceu-me um cão certa vez, chegando bem próximo. E daí ele me pediu algo. Não pude negar, não pude nega-lo. Eternamente responsável, até que ele encontre seu próprio destino e eu o meu.
E foi assim enquanto passava por uma enorme fazenda no pé de uma montanha azul.
quinta-feira, 15 de abril de 2010
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